Fragmentação e Desigualdades Regionais Marcam Avaliação do Proadi-SUS
O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), que se prepara para seu sétimo triênio, alcançou em sua última gestão o maior volume de projetos e investimentos, com 203 iniciativas e cerca de R$ 3,8 bilhões aplicados. No entanto, uma pesquisa conjunta entre o Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificou que, apesar da alta capacidade técnica das instituições participantes, o programa sofre com baixa integração sistêmica, fragmentação de ações e concentração de projetos em regiões específicas do país. Os resultados foram apresentados durante o III Seminário Anual de Avaliação dos Projetos do Proadi-SUS.
Desigualdade Regional e Falta de Diagnóstico Prejudicam Alcance do Programa
Um dos pontos críticos destacados pelo estudo é a desigualdade na distribuição dos projetos. As regiões Sudeste e Sul concentraram 42% das iniciativas, enquanto Norte e Centro-Oeste tiveram 20% e 22%, respectivamente. A pesquisa também apontou a falta de diagnósticos prévios para a elaboração de propostas e sobreposição territorial das ações. Diante disso, o estudo recomenda a implementação de uma política de equidade e o uso intensivo de dados para a alocação mais justa de recursos.
Dificuldades de Monitoramento e Baixa Incorporação de Soluções são Alertadas
A análise revelou ainda problemas na identificação clara e rastreabilidade dos beneficiários dos projetos, devido ao uso predominante de dados agregados. Essa falta de clareza dificulta a tomada de decisões, o monitoramento eficaz e a mensuração do real impacto das ações. A pesquisa alerta que a pouca transparência nesse quesito pode comprometer o alinhamento com as prioridades do Ministério da Saúde. Outros desafios incluem a baixa incorporação dos produtos e soluções desenvolvidas no SUS, com dificuldades em converter resultados em capacidades estruturantes, e limitações na avaliação de custo-efetividade e continuidade das ações.
Novas Diretrizes Buscam Fortalecer Governança e Integração do Proadi-SUS
O Ministério da Saúde, ciente das fragilidades apontadas, anunciou novas premissas e diretrizes para o programa. O objetivo é direcionar os projetos para temas estratégicos do SUS, agilizar a aprovação de propostas e ampliar a participação. A gestão busca fortalecer a governança, aumentar a transversalidade dos projetos e aproximar o conhecimento de excelência dos hospitais de referência às iniciativas. A expectativa é que, com os aprendizados da avaliação externa, o próximo triênio (2027-2029) promova um maior impacto das ações, com foco em portfólios articulados em torno de prioridades estratégicas, como atenção primária, saúde digital e inovação tecnológica, visando a transformação e a escalabilidade de experiências para o fortalecimento contínuo do SUS.
Fonte: futurodasaude.com.br

