Percepção de Causa e Gravidade da Violência de Gênero
Uma pesquisa recente revela que a maioria dos brasileiros atribui a violência contra a mulher a escolhas afetivas. No entanto, essa visão não é unânime e apresenta variações significativas entre os gêneros e níveis de escolaridade.
A concordância total com a tese de que a violência está ligada a escolhas afetivas é maior entre os homens, alcançando 44% dos que concordam totalmente. Em contrapartida, as mulheres demonstram maior discordância, com uma diferença de 8% em relação aos homens nesse quesito.
A percepção sobre a causa da violência também se modifica com o nível de escolaridade. A crença de que a violência advém de escolhas afetivas perde força entre os mais escolarizados: o índice cai de 73% entre pessoas com ensino fundamental para 48% entre aquelas com ensino superior.
Quando o assunto é a gravidade do problema, as mulheres se mostram mais conscientes. Para 73% delas, a violência de gênero figura entre os principais desafios da segurança pública no Brasil. Entre os homens, esse percentual é consideravelmente menor, situando-se em 49%.
A Realidade das Vítimas: Experiências e Baixa Reação
Os dados da pesquisa pintam um quadro preocupante sobre a vivência das mulheres com a violência de gênero. Um impressionante percentual de 74% das mulheres relata ter sofrido ao menos uma situação de violência ao longo da vida, com uma média de três episódios por vítima.
Os tipos mais comuns de violência incluem insultos e xingamentos (59%), ameaças de agressão física como empurrões ou chutes (45%) e perseguição ou intimidação (43%).
A violência sexual também é uma realidade alarmante, com 38% das mulheres já tendo sofrido algum tipo de toque ou abordagem sem consentimento. Adicionalmente, uma em cada quatro entrevistadas foi vítima de espancamento ou tentativa de enforcamento, e 22% relataram ameaças com armas.
Desconfiança nas Instituições Afasta Denúncias
Apesar da alta incidência de violência, a reação das vítimas é baixa. Entre as mulheres que sofreram agressões mais graves no último ano, 37% não tomaram nenhuma providência. A pesquisa aponta a desconfiança nas instituições públicas como um dos principais motivos para essa falta de ação.
Apenas 19% das mulheres confiam plenamente na polícia para sua proteção, enquanto entre os homens esse índice sobe para 31%. Além disso, enquanto 55% dos homens consideram a legislação de proteção às mulheres eficaz, o mesmo percentual de mulheres expressa desconfiança quanto à efetividade dessas normas.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o país entre 6 e 11 de abril de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fonte: viva.com.br

