Tensão em Relações Bilaterais
Fontes do Ministério do Interior de Marrocos comunicaram ao governo espanhol o descontentamento com a revisão da lei de estrangeiros, publicada em 13 de julho. A reforma, que atendeu a um recurso de associações pró-migrantes, proíbe as chamadas ‘devoluções a quente’ e garante assistência imediata a menores estrangeiros não acompanhados. Marrocos considera que essa decisão judicial espanhola prejudica a cooperação em matéria migratória entre os dois países.
Reações Divergentes na Espanha
Apesar de a posição oficial do governo espanhol ter sido de sublinhar a colaboração com Marrocos e atribuir a recente crise migratória a redes de tráfico e desinformação, houve exceções. Juan Vivas, presidente de Ceuta, criticou abertamente o país vizinho em entrevista ao jornal ‘El País’. A ministra da Defesa, Margarita Robles, foi mais contundente, exigindo de Marrocos um esclarecimento sobre os eventos e afirmando que ‘as máfias ou quem tiver consentido ou tolerado isto terá de assumir responsabilidades’. Robles evitou, no entanto, responder diretamente se o Centro Nacional de Inteligência (CNI) alertou sobre a possibilidade de uma chegada massiva de migrantes.
Histórico de Uso Migratório em Crises Diplomáticas
Não é a primeira vez que Marrocos utiliza fluxos migratórios como forma de manifestar insatisfação com a Espanha. Em 2021, uma crise semelhante viu a entrada ilegal de cerca de 10.000 pessoas em Ceuta. Na ocasião, o descontentamento marroquino foi desencadeado pela recepção do líder da Frente Polisário, Brahim Gali, em território espanhol, o que gerou uma crise diplomática relacionada à posição de Madrid sobre o Saara Ocidental.
Contexto da Cimeira Europeia de Migração
A manifestação de desagrado de Marrocos ocorre a menos de 24 horas de uma cimeira de ministros do Interior europeus. Nesta reunião, a Espanha planeja defender uma posição comum em matéria de migração e denunciar a falta de solidariedade paneuropeia, após críticas ao cruzamento coletivo na fronteira de Ceuta. Países como França e Portugal não assinaram uma carta de rejeição liderada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, indicando divergências na abordagem europeia à questão migratória.
Fonte: pt.euronews.com

