O que é a Teranóstica?
A teranóstica representa um salto na medicina de precisão ao unir diagnóstico e tratamento em uma única abordagem. Utilizando moléculas radioativas, a tecnologia permite identificar alvos biológicos específicos em tumores e, com base nessa informação, selecionar a terapia mais adequada para cada paciente. Essa inovação, antes restrita a casos avançados de câncer de tireoide e próstata, agora expande seu alcance para tumores de mama, pulmão e gliomas, refletindo a tendência de tratamentos cada vez mais personalizados na oncologia.
Avanços e Potencial Econômico
A medicina nuclear, que desde os anos 1940 utiliza iodo radioativo para diagnóstico e tratamento de doenças da tireoide, tem se beneficiado de avanços em imagem molecular, desenvolvimento de novos radiofármacos e evidências clínicas. Isso permite que a teranóstica seja considerada em fases mais precoces da doença. O mercado global de radioteranóstica, avaliado em US$ 11,8 bilhões em 2025, tem projeção de ultrapassar os US$ 25 bilhões até 2033, indicando um forte potencial de crescimento.
Desafios para a Expansão no Brasil
No Brasil, a expansão da teranóstica enfrenta obstáculos significativos. A oferta limitada de radiofármacos, a concentração de serviços especializados em grandes centros e desafios de financiamento, importação e registro de novos produtos são pontos críticos. Além disso, é necessária a ampliação da infraestrutura de medicina nuclear, com mais equipamentos e serviços habilitados, e a formação e retenção de profissionais especializados. A organização de toda a cadeia assistencial é fundamental para o avanço da tecnologia.
Projetos Estruturantes e Inovação Regulatória
O país aposta em projetos como o Reator Multipropósito Brasileiro, com previsão de início de operações em 2031, para aumentar a autonomia na produção de radioisótopos e reduzir a dependência de importações. A Política Nacional de Expansão da Medicina Nuclear também visa fortalecer a produção nacional e descentralizar serviços. Paralelamente, a Anvisa tem agilizado o registro de radiofármacos, com aprovações recentes que buscam ampliar a disponibilidade e a previsibilidade do mercado. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) desempenha um papel crucial, sendo responsável por cerca de 90% da produção nacional de radiofármacos e desenvolvendo novas moléculas e tecnologias. O desafio agora é transitar da escala laboratorial para a produção comercial, com investimento em estudos clínicos e adequação às boas práticas de fabricação.
O Futuro da Teranóstica
A teranóstica está em sua fase inicial, mas com perspectivas de rápida expansão. Além dos tumores de próstata, tireoide e neuroendócrinos, novos radiofármacos estão sendo estudados para câncer de mama, pulmão, gliomas e tumores do trato gastrointestinal. O desenvolvimento de radiofármacos direcionados à Proteína de Ativação de Fibroblastos (FAP) é uma das apostas para ampliar as aplicações. A próxima geração da tecnologia promete novas opções terapêuticas e maior acesso ao diagnóstico por imagem, com pesquisas focadas em terapia alfa e radioisótopos de meia-vida superior. A produção de evidências clínicas no Brasil será essencial para subsidiar a incorporação dessas terapias ao SUS e o planejamento da assistência em saúde, garantindo que os avanços científicos se traduzam em benefícios concretos para os pacientes e na preservação da qualidade de vida durante o tratamento.
Fonte: futurodasaude.com.br

