quinta-feira, agosto 20, 2026
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Toky: Auditoria e Administradora Judicial Desistem de Encontrar Números em Meio a Sumiço de Documentos e Contas que Não Fecham

Balanço Trimestral Sob Suspeita: Auditoria Aponta Falhas Graves e Falta de Informação

A Grant Thornton, auditora independente do Grupo Toky, dona das varejistas Mobly e Tok&Stok, declarou abstenção de opinião sobre o balanço do segundo trimestre. Esta é a segunda vez consecutiva que a auditoria se recusa a emitir um parecer, mas o número de motivos para tal decisão quadruplicou em relação ao trimestre anterior. Além de dúvidas sobre a continuidade operacional da empresa, a auditoria apontou R$ 45,5 milhões em recebíveis de marketplace não reconciliados, R$ 486,7 milhões em debêntures classificadas incorretamente e a falta de documentação sobre outro lote de debêntures, atribuída à própria administração da Toky.

Divergências no Marketplace e Erros em Classificação de Dívidas

Um dos principais pontos levantados pela Grant Thornton refere-se a divergências nos recebíveis de marketplace. A Toky, que vende produtos de parceiros terceiros (sellers) em suas plataformas, identificou diferenças entre os valores confirmados pelos parceiros e o que está registrado em sua contabilidade. Embora a empresa tenha provisionado R$ 45,5 milhões para cobrir essas diferenças, o processo de reconciliação ainda estava em andamento, impedindo a auditoria de verificar a suficiência ou correção do valor. Outro ponto crítico é a classificação incorreta de R$ 486,7 milhões em debêntures. A auditoria aponta que, após o pedido de recuperação judicial, essas debêntures deveriam ter sido reclassificadas de longo prazo para curto prazo, o que não ocorreu, distorcendo a percepção do passivo circulante e não circulante da empresa.

Falta de Documentação e Preocupações com Transparência

A quarta razão para a abstenção de opinião da auditoria envolve um lote de debêntures conversíveis. O pedido de recuperação judicial deveria ter desencadeado a conversão automática dessas debêntures em ações, mas isso não aconteceu. A administração da Toky, segundo a Grant Thornton, não forneceu a documentação necessária para avaliar os impactos contábeis dessa pendência. Especialistas em auditoria interna ressaltam que a confiança do mercado depende não apenas dos números reportados, mas da capacidade da empresa de demonstrar, por meio de controles e processos consistentes, como chegou a esses resultados.

Administradora Judicial Confirma Dificuldades e Atrasos

As preocupações levantadas pela auditoria são ecoadas pelo relatório da AJ Ruiz, administradora judicial do Grupo Toky. Desde junho, a AJ Ruiz tem documentado meses de atrasos na entrega de documentos e números que não fecham entre si nas seis empresas do grupo. Relatórios indicam divergências em estoques físicos e contábeis, além de variações de caixa inexplicáveis. A administradora judicial também relata que a Toky solicitou prorrogações sucessivas para a entrega de documentos contábeis, recebendo o material apenas às vésperas do fechamento de relatórios, o que limitou o tempo de análise.

Minoritários Consideram Ocultação e Planejam Ações Legais

Diante do cenário de falta de transparência e inconsistências, o advogado Felipe Demori, que representa minoritários do grupo, expressou preocupação. Ele afirmou que “há alguma coisa sendo escondida” e que pretende notificar a empresa extrajudicialmente. Caso não obtenha esclarecimentos satisfatórios, Demori planeja protocolar reclamações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), uma focada na abstenção de opinião da auditoria e outra sobre a operação com debêntures da SPX. Enquanto isso, as ações da Toky (TOKY3) acumulam queda de 90,8% neste ano, com valor de mercado de R$ 15,8 milhões.

Fonte: neofeed.com.br

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