Desafios e Novos Caminhos para a Saúde Suplementar
Sami Foguel, CEO da Porto Saúde, em entrevista ao Futuro Talks, abordou os desafios enfrentados pela saúde suplementar no Brasil, como a pressão crescente de custos e a necessidade de modelos mais inclusivos. Apesar do crescimento recente, o setor ainda luta para ampliar seu alcance. Foguel sugere que a regionalização e a oferta de diferentes níveis de serviços podem ser chaves para atingir camadas da população atualmente desassistidas por planos de saúde.
O executivo destacou que as regras atuais, que buscam equilibrar acesso, cobertura e custo, podem inadvertidamente excluir beneficiários. A ampliação do rol de procedimentos e a incorporação de tecnologias de alto custo elevam os preços, dificultando a entrada de novos participantes. Para Foguel, a insistência em um modelo único e abrangente reforça a lógica do “tudo ou nada”, um entrave para a expansão do setor.
Porto Saúde: Crescimento e Inovação em Modelos de Acesso
A Porto Saúde tem se destacado com um crescimento expressivo, saltando de 250 mil para 850 mil vidas em saúde desde 2021, além de 1,2 milhão em odontologia. A estratégia da empresa combina produtos segmentados e acessíveis com uma forte gestão do cuidado, utilizando um time médico próprio e parcerias estratégicas. A “verticalização virtual”, onde o time médico da Porto se integra a redes de prestadores sem a necessidade de controlar ativos físicos, tem sido um diferencial.
Foguel apresentou as quatro linhas de produtos da Porto Saúde: a tradicional, a linha Pro (voltada a empreendedores e grandes empresas), a linha Porto (com reembolso mais baixo ou sem reembolso) e o Porto Bairros. Este último, em particular, foi desenvolvido com o objetivo de acessibilidade, oferecendo planos significativamente mais baratos que os tradicionais, permitindo que empresas que antes não podiam oferecer planos de saúde a seus funcionários agora o façam.
Críticas à Regulação e Propostas para Ampliar o Acesso
O CEO criticou a visão de que a saúde suplementar é um projeto voltado apenas para as classes média e alta. Ele argumenta que o setor deveria ser um “projeto de país”, com potencial para atender 70, 80 ou até 100 milhões de brasileiros. A atual concentração de gastos, com 25% da população respondendo por 50% a 65% do total, evidencia um desequilíbrio que precisa ser abordado.
Foguel defende a discussão de novos modelos, incluindo planos com diferentes níveis de cobertura, produtos focados em grandes riscos e formatos com limites ou franquias. Ele também sugere a criação de um pool único para planos individuais por operadora, similar ao modelo PME, para aumentar a inclusão. A crítica se estende à regulação, que, segundo ele, tem tornado os planos menos acessíveis ao aumentar obrigatoriedades e incluir tecnologias de alto custo sem considerar a sustentabilidade e o impacto financeiro para os beneficiários.
O Futuro da Saúde Suplementar no Brasil
O executivo lamentou a saída de grandes operadoras internacionais do mercado brasileiro e a consolidação do setor, indicando um desequilíbrio que exige escala para a sustentabilidade do negócio. Ele ressalta que o aumento do Custo Médico-Hospitalar (VCMH), que cresce a taxas superiores à inflação, é impulsionado por fatores como incorporação de tecnologias, abusos e medicamentos de alto custo, e não apenas pela ação das seguradoras.
Foguel vê com bons olhos a regulação de cartões de desconto, desde que não prejudique o setor, e a busca por soluções como fundos para financiar terapias de alto custo. Ele enfatiza a necessidade de um debate amplo sobre a regulação, a incorporação de tecnologias e a gestão do cuidado, com foco em tornar a saúde suplementar mais acessível e sustentável para toda a população brasileira, evitando a criação de uma “elite” de acesso à saúde.
Fonte: futurodasaude.com.br

