Críticas à gestão e falta de transparência vêm à tona
Em uma divulgação estratégica na véspera do feriado de Páscoa, a Oncoclínicas tornou públicos os votos divergentes de dois de seus conselheiros de administração, Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos. Os documentos, referentes a reuniões em março, revelam duras críticas à gestão da companhia e reforçam os alertas feitos pela Mak Capital sobre riscos financeiros e operacionais. A publicação expõe um racha interno no conselho e levanta questionamentos sobre a estrutura financeira e a continuidade operacional da empresa.
Acordo com a Porto sob fogo de conselheiros
O principal ponto de discórdia reside em uma proposta não vinculante da Porto, que prevê a transferência do controle da principal linha de negócios da Oncoclínicas. Grodetzky e Ladeira de Matos votaram contra a proposta, argumentando que os termos apresentados não atendem às necessidades da companhia e podem comprometer sua capacidade futura de operação. Eles alertam que a estrutura resultante deixaria a empresa com participação minoritária em seu principal ativo, mas com dívidas relevantes, possivelmente sem geração de caixa suficiente para cobrir suas obrigações, tornando a operação inviável.
Questionamentos sobre o processo decisório e saída da CFO
Os conselheiros independentes também questionaram o processo de negociação com a Porto, que, segundo eles, não foi conduzido pela diretoria executiva, mas por acionistas. Essa delegação de função, na visão deles, compromete a credibilidade do processo e a capacidade do conselho de defender aspectos importantes da operação. Além disso, expressaram descontentamento com a saída da CFO Camille Faria em um momento crítico de reestruturação, considerando absurda a decisão de substituí-la por uma divergência sobre uma minuta de fato relevante.
Preocupações com a governança e gestão de caixa
As críticas se estendem à governança da empresa, com registro de descontentamento pela decisão de não gravar as reuniões do conselho, prática que gerava segurança aos conselheiros. Há também preocupações com a priorização de pagamentos a credores específicos, o que poderia prejudicar o processo de reestruturação. Os conselheiros defenderam que todo recurso disponível deveria ser destinado à compra de medicamentos essenciais para a continuidade das operações e o tratamento dos pacientes, reforçando sinais de deterioração operacional em meio à crise de liquidez.
Fonte: neofeed.com.br

