Resistência e Memória em “Torre das Donzelas”
O segundo dia da Mostra Diversidade 60+ iniciou com a emocionante exibição do documentário “Torre das Donzelas”, dirigido por Susanna Lira. A obra, lançada em 2018, mergulha na história de ex-prisioneiras políticas que, nos anos 1970, conviveram na penitenciária feminina conhecida como Torre das Donzelas, em São Paulo. Após 40 anos, o filme reuniu essas mulheres, agora com mais de 70 anos, para reconstituir as lembranças do período de cárcere, evidenciando como a amizade e a união foram fundamentais para superar o medo.
As histórias de resistência e resiliência vividas na juventude reverberam na maturidade dessas mulheres. Segundo a diretora Susanna Lira, elas demonstram um senso de dever cumprido e permanecem ativas, construindo novos projetos e sem desistir do Brasil ou de suas próprias vidas. Uma delas, Iara Prado, prestes a completar 80 anos, construiu uma sólida carreira na educação, chegando a ocupar o cargo de secretária da Educação Fundamental do MEC. A criação recente da Casa Feminista em São Paulo, um espaço dedicado ao debate sobre democracia, é outro exemplo da vitalidade dessa geração.
Ney Matogrosso: Longevidade Poética em “Ney À Flor da Pele”
A programação do dia foi encerrada com o documentário “Ney À Flor da Pele”, de Felipe Nepomuceno, que presta uma homenagem poética ao cantor Ney Matogrosso. Lançado em 2020 e disponível em plataformas digitais, o filme se diferencia do formato tradicional de documentários musicais ao focar exclusivamente na imagem e na voz de Ney, utilizando imagens de arquivo, entrevistas antigas e canções executadas na íntegra para retratar sua longevidade artística. Aos 84 anos, Ney Matogrosso continua em plena atividade, um testemunho de sua paixão pela arte.
Um Legado de Ativismo e Arte na Maturidade
O diretor Felipe Nepomuceno, que já havia trabalhado com Ney Matogrosso em DVDs, buscou com “Ney À Flor da Pele” celebrar a trajetória do artista. A exibição contou com a presença do diretor e do jornalista Julio Maria, autor da biografia de Ney. A conversa mediada pelo curador da mostra, Amilton Pinheiro, destacou a importância de celebrar a vitalidade e a produção contínua de artistas e ativistas na terceira idade. A Mostra Diversidade 60+ reafirma, assim, que a velhice é uma fase de experiências ricas, aprendizado contínuo e contribuições significativas para a sociedade.
Fonte: viva.com.br

