Apoio a Lula no Senado Cai pela Metade; PSD, União e Podemos Lideram Recuo
Congresso Ganha Autonomia e Dificulta Governança do Planalto
O apoio do Congresso Nacional a projetos prioritários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu uma redução significativa, especialmente no Senado. De acordo com um relatório da empresa Ética Inteligência Política, o alinhamento governista no Senado caiu de 75% nos primeiros seis meses de 2025 para 38,5% no mesmo período de 2026. Na Câmara dos Deputados, a queda foi menos acentuada, passando de 58% para 38,1%.
Queda Brusca no Senado e Estabilidade na Câmara
O Senado Federal registrou o maior impacto, com o governo Lula não conseguindo ampliar o apoio de nenhuma legenda em relação ao ano anterior. As maiores perdas ocorreram em partidos como PSD, União Brasil e Podemos, que viram seu percentual de votos favoráveis ao governo cair de 80% para 40%. Republicanos e PP também apresentaram recuo, de 60% para 40%. Em contrapartida, o PT manteve 100% de alinhamento, o PSB 80% e o Novo 60%.
Na Câmara dos Deputados, a situação foi mais estável. Partidos como o PSD registraram crescimento em seu alinhamento, passando de 40% para 60%. No entanto, legendas como o PL mantiveram seus percentuais de voto favorável (40%), mas aumentaram sua bancada, o que diluiu a participação proporcional do governo no total de votos da Casa. O Podemos também manteve a taxa de 40% de votos com o governo, mas expandiu sua representação em 11 deputados.
Enfraquecimento do Presidencialismo de Coalizão
A consultoria atribui essa perda de governabilidade ao crescente protagonismo do Congresso, que tem atuado de forma mais coordenada na defesa de suas prerrogativas. A flexibilização das regras para licenciamento ambiental e a derrubada de vetos presidenciais são exemplos citados. Segundo Carolina Venuto, sócia da Ética Inteligência Política, o Palácio do Planalto tem enfrentado dificuldades para construir maiorias estáveis, dependendo mais de acordos pontuais por pauta.
Autonomia Partidária e o Impacto das Emendas
A especialista descarta um “abandono” do Centrão, mas aponta para um aumento da autonomia das siglas em relação ao Executivo. Esse movimento é impulsionado pelo fortalecimento do protagonismo do Congresso no controle do Orçamento, especialmente com a destinação de R$ 61,4 bilhões em emendas parlamentares em 2026 e um calendário eleitoral que acelera a execução de gastos. Com mais recursos, os partidos de centro negociam cada votação de forma individualizada, considerando o custo político e eleitoral.
Cenário Eleitoral e a Necessidade de Alianças
A redução do alinhamento automático de partidos do Centrão no Congresso pode se refletir nos acordos estaduais para a campanha de reeleição de Lula em 2026. A professora de Ciência Política Luciana Santana, da UFAL, destaca que o modelo de “presidencialismo de coalizão”, característico das décadas passadas, tem mudado, com o Legislativo assumindo um papel de maior protagonismo. A campanha presidencial tende a ser marcada por acordos pontuais e pela busca de convergência em torno de agendas com maior apelo ao eleitorado, tornando o apoio de legendas de centro decisivo em disputas não polarizadas.
Fonte: www.poder360.com.br

