Brasil deve focar em negociações diplomáticas antes de aplicar Lei da Reciprocidade contra tarifas dos EUA
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) declarou nesta terça-feira (2) que o Brasil ainda não é o momento de acionar a Lei da Reciprocidade em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo a ex-ministra da Agricultura, a prioridade agora é intensificar as negociações diplomáticas com o governo norte-americano.
“Eu acho que ainda não [é a hora]. A reciprocidade é quando você esgota todas as fases de negociação”, afirmou a senadora, enfatizando que a retaliação só deve ser considerada após o esgotamento de todas as vias de diálogo.
EUA propõem tarifa sobre produtos brasileiros após investigação comercial
A proposta de tarifa de 25% sobre uma vasta gama de produtos importados do Brasil foi anunciada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (1º). A medida surge após uma investigação comercial que concluiu pela adoção de práticas comerciais brasileiras consideradas desleais e prejudiciais a empresas americanas. No entanto, antes da aplicação definitiva, os EUA abriram um período de audiências e consultas públicas, com prazo legal para definição das medidas até 15 de julho de 2026.
Planalto concorda com cautela e vê críticas dos EUA já respondidas
A posição de Tereza Cristina alinha-se à visão do Palácio do Planalto. A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que as contestações americanas já foram abordadas em comunicações anteriores a Washington. Auxiliares presidenciais entendem que responder detalhadamente a cada acusação poderia dar um peso político maior ao embate com o governo Trump.
A investigação que fundamenta a proposta de tarifas baseou-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento que permite aos EUA impor tarifas e outras sanções contra práticas comerciais tidas como abusivas. A senadora admitiu que esperava um desfecho mais rigoroso da investigação, que avançou para temas sensíveis nas relações bilaterais.
Senadora aponta riscos para o agronegócio e defende diplomacia ativa
Tereza Cristina alertou que as novas tarifas podem impactar significativamente as exportações brasileiras, com especial preocupação para o setor do agronegócio, podendo inviabilizar a venda de certos produtos ao mercado americano. Ela defende que o governo brasileiro amplie os esforços diplomáticos e que o Congresso também colabore através da diplomacia parlamentar.
“O Brasil vai ter que se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa, ter paciência”, aconselhou. A senadora ressaltou a importância de manter os canais diplomáticos abertos, inclusive através do diálogo entre congressistas brasileiros e assessores de seus pares americanos. “Nós não podemos fechar portas. Mais um motivo para estarmos mais ativos nessa diplomacia”, concluiu.
Apesar de reconhecer um componente político nas tarifas, a senadora ponderou que o Brasil precisa analisar o cenário com cautela. Ela também destacou que o superávit comercial dos EUA na relação bilateral com o Brasil enfraquece as justificativas puramente econômicas para as medidas tarifárias.
Fonte: www.poder360.com.br

