terça-feira, julho 28, 2026
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IA impulsiona inflação em vez de freá-la, aponta Janet Yellen, citando gastos e mercado aquecido

Preocupações com a produtividade e custos da IA

Ao contrário do consenso de mercado que prevê que a inteligência artificial (IA) aumentará a produtividade e reduzirá custos, Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro americano e ex-presidente do Federal Reserve (Fed), expressou ceticismo. Em um painel na Expert XP, ela declarou que, na prática, a IA tem impulsionado a inflação mais do que a contido. “Não estamos vendo evidência de nenhuma melhora relevante na produtividade agregada, embora a IA esteja claramente tendo efeito em alguns setores. E não estamos vendo evidência de pressões desinflacionárias”, afirmou Yellen, complementando: “Agora, eu acho que a IA está, de forma demonstrável, elevando a inflação, em vez do contrário”.

Investimentos em IA e o efeito no mercado

Yellen explicou que o impacto inflacionário da IA deriva de “investimentos enormes” no setor. Esse aumento de gastos eleva os preços de componentes cruciais como semicondutores e o custo da eletricidade. Além disso, a demanda por esses recursos tem mantido o mercado de trabalho aquecido. “Depois, temos um enorme impulso nos gastos de consumo [nos Estados Unidos] vindo do mercado de ações, que está em pleno boom, principalmente por causa da expectativa de lucros futuros”, acrescentou.

Cenário econômico e juros nos EUA

Diante das dificuldades em reduzir a inflação americana para a meta de 2% desde a pandemia, Yellen indicou que o Fed estaria “pronto para subir juros”. As apostas do mercado apontam para ao menos dois aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente entre 3,5% e 3,75%, até o final do ano. “Se essa última rodada de turbulência no Oriente Médio continuar ou se intensificar, se eu fosse uma apostadora, apostaria que veríamos ao menos alguns aumentos de juros com o objetivo de conter a inflação”, disse. Ela ponderou que um aperto monetário maior poderia prejudicar o mercado de trabalho, mas, em contrapartida, a inação traria o risco de alta inflacionária.

Fatores adicionais e a dívida americana

Yellen também atribuiu parte da dificuldade em controlar a inflação às políticas tarifárias da Casa Branca e aos impactos das tensões no Oriente Médio no preço do petróleo. Ela relembrou que a imposição de tarifas pelo governo Trump, em um momento em que os choques da pandemia começavam a se dissipar, contribuiu para o aumento da inflação. A inflação americana, que rodou abaixo de 3% em 2025, subiu para 4,2% em maio deste ano, recuando para 3,5% em junho. Paralelamente, a dívida federal dos EUA em relação ao PIB atinge cerca de 100%, um nível que historicamente tem gerado problemas em outras economias. O déficit fiscal, mesmo com a economia fora de recessão, permanece em 6% do PIB, um cenário incomum que, segundo Yellen, exigirá “alguma combinação de impostos mais altos, pensões menores, menor suporte para despesas médicas”.

Mudanças nas reservas globais e o papel do dólar

Um ponto de atenção levantado por Yellen é a mudança na composição dos detentores da dívida americana. Bancos centrais estrangeiros estariam reduzindo sua posse de Treasuries e aumentando suas reservas em ouro. Esse movimento, segundo ela, é uma reação ao congelamento de ativos russos pelo G7 em 2022, que gerou preocupação global sobre a segurança de manter dólares em reserva. “Ficou claro que os países se preocupariam em manter dólares em reservas, que um dos riscos é que, se ficassem do lado errado dos Estados Unidos, poderiam enfrentar uma ameaça semelhante”, explicou. Apesar disso, Yellen não vislumbra, no curto prazo, uma moeda capaz de substituir o dólar como reserva global.

Fonte: neofeed.com.br

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