Bolton critica acordo como favorável ao Irã
John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca durante o primeiro mandato de Donald Trump, declarou que o acordo em princípio alcançado com o Irã beneficia significativamente o regime iraniano. Em entrevista à Euronews, à margem da cúpula do G7, Bolton afirmou que Trump priorizou preocupações econômicas, como a queda no preço do petróleo, em detrimento de considerações estratégicas de segurança nacional.
“Têm-no tocado como se fosse um violino”, disse Bolton, referindo-se à manipulação do presidente americano. “É por isso que conseguiram o acordo que queriam.” Segundo o ex-conselheiro, a principal preocupação de Trump era manter o Estreito de Ormuz aberto e garantir a oferta de petróleo do Golfo nos mercados internacionais, com o objetivo de reduzir o preço da gasolina para os consumidores americanos.
Falta de transparência e preocupações estratégicas
Bolton expressou preocupação com a ausência de um texto publicado do acordo em princípio, argumentando que os detalhes são cruciais e permanecem obscuros. Questões fundamentais sobre o programa de enriquecimento de urânio do Irã, a extensão do levantamento de sanções e a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz ainda não foram esclarecidas.
“Se fosse um grande acordo, já estaria a ser apresentado publicamente. E penso que isso diz praticamente tudo o que é preciso saber”, afirmou. Ele também rejeitou a alegação da Casa Branca de que a liderança iraniana mudou fundamentalmente após ataques recentes, atribuindo a substituição de figuras de topo à eliminação de centenas de indivíduos de alto escalão, mas mantendo a natureza “fanática” do regime.
Desvalorização de garantias e margem de manobra reduzida
O ex-conselheiro minimizou as garantias iranianas de que não buscarão armas nucleares, lembrando que o Irã se comprometeu a não adquirir tais armas desde 1970, mas “simplesmente, não leva esse compromisso a sério”. Bolton argumentou que Trump enfraqueceu a posição de negociação dos EUA ao aceitar um acordo com um Irã enfraquecido, especialmente antes das eleições intercalares de novembro, indicando que os EUA não lançariam novos ataques.
“Isso retira-nos a principal arma, o maior instrumento de pressão que temos sobre o Irã. É a única linguagem que compreenderão”, disse Bolton, concluindo que Teerã avaliou corretamente a ânsia de Trump por um acordo. Ele também se mostrou cético quanto à eficácia de uma força naval europeia para manter o Estreito de Ormuz aberto, comparando-a a uma força de paz da ONU ineficaz.
Fonte: pt.euronews.com

