Operação “Fisco Paralelo” Desmantela Esquema Bilionário
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo aplicou multas que somam R$ 2,8 bilhões à Ultrafarma e à Fast Shop. As autuações são resultado de investigações sobre um esquema de corrupção que teria beneficiado grandes empresas do varejo e atacado com restituições fraudulentas de créditos tributários de ICMS, operando por mais de duas décadas. O esquema, apelidado de “fura-fila”, envolvia o pagamento de propinas a auditores fiscais para a liberação de créditos inflados.
Detalhes das Multas e Investigações
A Ultrafarma foi autuada em R$ 1,38 bilhão em três frentes distintas: R$ 358 milhões pelo Grupo de Trabalho Refazimento, R$ 476 milhões pelo Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros e R$ 555,8 milhões pelo Grupo de Trabalho Créditos Escriturados. As investigações, conduzidas pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público estadual, levaram à prisão de Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop. Ambos foram posteriormente liberados e respondem ao processo em liberdade.
O Auditor “King” e o Esquema de Propinas
O principal suspeito de liderar o esquema é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “King”. Ele está preso sob suspeita de ter recebido mais de R$ 1 bilhão em propinas e de ter acumulado mais de R$ 100 milhões em criptomoedas com recursos ilícitos. O esquema, que teria iniciado por volta de 2002, permitia que empresas “furasssem a fila” na restituição de créditos tributários mediante o pagamento de propinas elevadas a fiscais.
Operações e Delação Premiada
A suspeita de corrupção em larga escala gerou três operações: a Operação Ícaro, em agosto, que já apontava o favorecimento à Ultrafarma e Fast Shop; seguida pela Operação Mágico de Oz e Operação Fisco Paralelo, em março de 2026, que aprofundaram a investigação. Cerca de 40 auditores fiscais estão sob suspeita, e cinco já foram demitidos em abril por ordem do secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita. A delação premiada do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o “PP”, que se aposentou em 2024, tem sido fundamental para as investigações, detalhando o funcionamento do esquema. “PP” ocupou cargos estratégicos na Receita estadual, incluindo inspetor fiscal e delegado regional.
Fonte: viva.com.br

