Estreito de Ormuz é Chave para Estabilidade Econômica Global
A economia mundial se encontra em um momento decisivo, com o futuro dependendo da reabertura do Estreito de Ormuz para garantir o fluxo contínuo de petróleo. Alex Fusté, economista-chefe do Andbank, expressou preocupação com a possibilidade de uma crise energética global, caso o estreito permaneça bloqueado por mais tempo. Segundo ele, o cenário atual, sustentado por reservas estratégicas de petróleo já em declínio, só pode ser mantido por mais um a dois meses. Após esse período, o mundo corre o risco de entrar em um cenário de estagflação, caracterizado por recessão e inflação elevada.
Choque Energético: O Risco Mais Perigoso para a Economia
Fusté classifica o choque energético como o mais prejudicial para a economia global, prevendo um possível aumento do preço do barril de petróleo para US$ 200 e quedas de até 30% em índices do mercado financeiro, como o S&P 500. Ele explica que o petróleo é um gatilho que afeta diretamente a inflação, as taxas de juros, a liquidez e o crescimento econômico. Nenhum país, nem mesmo grandes potências como Estados Unidos, China ou Rússia, estaria imune a esses efeitos. O economista ressalta que o prêmio de risco energético, um custo para se proteger contra choques, tem se tornado cada vez mais caro e insustentável.
Incertezas nos EUA e o Impacto no Brasil
Outro ponto de atenção levantado por Fusté é a incerteza gerada pela nova geração republicana nos Estados Unidos. Ele aponta que o estilo de governança adotado por figuras como Donald Trump, JD Vance e Marco Rubio tende a aumentar a volatilidade e o risco nos mercados. Para o Brasil, mesmo sendo um produtor de petróleo, os efeitos globais de um choque energético seriam inevitáveis. O economista não descarta a possibilidade de o Banco Central brasileiro ser forçado a aumentar a taxa Selic, mesmo já estando em patamares elevados, para combater a inflação decorrente do aumento dos preços internacionais de energia.
China: Imune ao Choque Energético?
Apesar de a China ter acesso ao petróleo russo, Fusté argumenta que o país asiático não está isolado do choque energético. O petróleo russo também se tornaria mais caro com a alta do preço internacional, impactando o modelo econômico chinês, que é intensivo em energia e depende de competitividade de custos. Além disso, uma crise global reduziria a demanda por exportações chinesas, agravando a situação. A conclusão de Fusté é clara: ninguém está imune aos efeitos de um choque energético de proporções globais.
Fonte: neofeed.com.br

