domingo, maio 31, 2026
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Cuidado Conectado: A Revolução Tecnológica que Promete Mais Eficiência e Segurança para Pacientes na Saúde Brasileira

O que é o Cuidado Conectado?

A saúde digital avança a passos largos, trazendo consigo promessas de maior eficiência, otimização de processos e melhores resultados clínicos. No entanto, a fragmentação de informações ainda é um grande obstáculo. É nesse cenário que o conceito de cuidado conectado surge como uma solução estratégica. Ele propõe a criação de uma rede integrada que une dispositivos médicos, plataformas digitais, aparelhos pessoais (devices) e registros eletrônicos de saúde. O objetivo é transformar a maneira como o ecossistema de saúde opera, focando na interconexão para uma atuação mais ágil e centrada no paciente.

Benefícios Reconhecidos e Desafios a Superar

Lideranças do setor de saúde já reconhecem o potencial do cuidado conectado. Uma pesquisa da Deloitte revelou que 84% dos executivos enxergam seu valor clínico e 74% seu valor operacional. Contudo, a implementação prática ainda enfrenta barreiras, como a falta de alinhamento entre as necessidades dos provedores e as soluções disponíveis, a dificuldade de integração entre plataformas e a carência de capacitação profissional e percepção de valor por parte das equipes.

Mariana Telles, CEO da Baxter Brasil, destaca que o cuidado conectado vai além da tecnologia: “Trata-se de conectar jornadas, informações e pessoas para permitir uma atuação cada vez mais integrada, eficiente e centrada no paciente”. Ela ressalta a importância da conectividade diante da crescente demanda assistencial e da pressão por eficiência operacional.

Tecnologia a Serviço da Segurança do Paciente

A integração promovida pelo cuidado conectado se traduz em maior visibilidade das operações, melhor coordenação da assistência, agilidade na tomada de decisões e, crucialmente, mais segurança para o paciente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), erros e eventos adversos ainda afetam um número significativo de pacientes globalmente. Em ambientes hospitalares, onde cada segundo é vital, a comunicação fluida entre equipamentos e sistemas é fundamental para prevenir falhas e otimizar desfechos.

Fernanda Pimentel, diretora médica para a Baxter Latam, aponta a dificuldade atual: “Muitas equipes ainda precisam lidar com múltiplos sistemas, fluxos pouco integrados e dados dispersos entre diferentes dispositivos e plataformas”. Isso pode levar a retrabalho, perda de tempo e dificuldade em acessar informações críticas no momento certo.

No contexto de um centro cirúrgico, por exemplo, a fragmentação de tecnologias e a necessidade de trocas manuais de dados geram riscos e atrasos. A OMS estima que 10% dos danos evitáveis na saúde ocorrem em ambientes cirúrgicos. Um sistema de integração, como o Helion da Baxter, apresentado na Hospitalar 2026, promete transformar essa realidade, conectando equipamentos e fluxos operacionais para uma atuação mais coordenada.

Impacto na Eficiência e Sustentabilidade

Os benefícios do cuidado conectado são palpáveis em áreas que exigem alta coordenação e grande volume de informações, como UTIs e centros cirúrgicos. Relatos de aplicações práticas indicam maior eficiência operacional, redução de etapas manuais, melhor rastreabilidade de dados e apoio à padronização de processos. Estudos sobre leitos inteligentes, por exemplo, mostram reduções significativas em ativações de código azul e tempo de internação.

Além disso, o cuidado conectado se alinha com as discussões sobre sustentabilidade na saúde. Telles explica que “Sustentabilidade hoje não está relacionada apenas a custos, mas também à capacidade de oferecer cuidado de qualidade de maneira eficiente, escalável e resiliente”. A conectividade, portanto, torna-se uma alavanca estratégica para o futuro do setor.

Desafios Culturais e a Importância da Capacitação

Apesar do reconhecimento do valor gerencial, a percepção de valor do cuidado conectado entre os profissionais da linha de frente ainda é um desafio. A integração ao fluxo de trabalho e as restrições orçamentárias também são obstáculos importantes. Para superar isso, é essencial um diálogo mais próximo entre desenvolvedores de tecnologia e profissionais de saúde, garantindo que as soluções atendam às necessidades reais e sejam aplicáveis às rotinas hospitalares.

A personalização das soluções, considerando os desafios específicos de cada instituição, e a mudança cultural necessária para a adoção dessas tecnologias são fundamentais. A capacitação das equipes é igualmente crucial. Pimentel reforça: “É necessário garantir que as equipes se sintam preparadas, seguras e apoiadas para utilizar essas tecnologias no dia a dia”.

O Futuro é Conectado

O cuidado conectado representa uma mudança de paradigma, com o potencial de integrar novas plataformas, aplicativos e dispositivos, centralizando ainda mais o paciente. O grande desafio atual não é mais coletar dados, mas sim conectá-los, qualificá-los e torná-los acionáveis. Estima-se que 97% dos dados gerados na saúde não são utilizados, evidenciando a necessidade de transformar essa informação em ação.

Para que o cuidado conectado se expanda, é preciso superar obstáculos estruturais e culturais, coletar evidências do mundo real para quantificar seu valor e aproximar profissionais de saúde e de tecnologia da informação. A inteligência artificial, a automação inteligente e o desenvolvimento de ecossistemas hospitalares mais conectados despontam como tendências que moldarão o futuro da assistência. “O futuro da saúde será cada vez mais orientado pela capacidade de conectar tecnologias, informações e pessoas para apoiar operações mais sustentáveis, ambientes assistenciais mais inteligentes e melhores experiências para pacientes e profissionais”, conclui Telles.

Fonte: futurodasaude.com.br

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