Nova Abordagem Busca Transformar a Experiência do Paciente Idoso
A partir de 29 de julho, as instituições de saúde brasileiras terão à disposição um novo modelo internacional para aprimorar o cuidado à pessoa idosa. O projeto Cuidados Amigáveis à Pessoa Idosa, uma adaptação do modelo Age-Friendly Health Systems do Institute for Healthcare Improvement (IHI), será implementado em hospitais, atenção primária, operadoras de saúde, instituições de longa permanência e serviços de atenção domiciliar. A iniciativa visa priorizar as necessidades individuais dos idosos em todas as decisões clínicas, fundamentada em quatro pilares essenciais: a prioridade do paciente, a gestão de medicamentos, a mobilidade e a saúde mental.
Colaboração Estratégica para um Envelhecimento Saudável
A adaptação do modelo à realidade brasileira é fruto de uma colaboração entre o IHI, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Grupo Laços e a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP). A adesão das instituições ao programa será voluntária e envolverá uma jornada de implementação de aproximadamente um ano, com acompanhamento técnico e monitoramento de indicadores chave. Estes indicadores incluem mobilidade, capacidade funcional, revisão de medicações, alterações cognitivas e a experiência geral do paciente. As instituições participantes contribuirão com uma taxa para apoiar a implementação e o acompanhamento técnico.
Respondendo ao Desafio do Envelhecimento Populacional
O lançamento do projeto ocorre em um momento crucial para o Brasil, que conta com cerca de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um número que deve mais que dobrar até 2070, segundo o IBGE. O desafio é garantir um envelhecimento com autonomia e capacidade funcional, o que exige uma reestruturação dos serviços de saúde. “Nosso sistema foi estruturado para responder, principalmente, a episódios agudos de doença”, explica Martha Oliveira, médica especialista em envelhecimento e CEO do Grupo Laços. A nova abordagem busca criar um modelo que acompanhe os indivíduos ao longo de todo o processo de envelhecimento, preservando sua qualidade de vida.
O Modelo Age-Friendly Health Systems em Detalhes
O Age-Friendly Health Systems é um movimento internacional que já foi adotado por mais de 6 mil organizações de saúde em diversos países, impactando cerca de 10 milhões de idosos. Sua lógica se baseia na organização do cuidado em torno das prioridades do idoso, com revisão periódica de medicamentos, preservação da capacidade funcional e identificação precoce de alterações cognitivas e emocionais. Experiências internacionais demonstram que a aplicação sistemática deste protocolo melhora a qualidade da assistência, aumenta a segurança do paciente e reduz eventos adversos. Paulo Borem, diretor sênior do IHI para a América Latina, destaca que os quatro elementos do modelo foram validados por especialistas e que um projeto-piloto no SUS já apoiou sua adaptação à realidade brasileira. “O desafio agora é integrar os diferentes níveis de atenção”, afirma Borem, ressaltando a importância de conectar atenção primária, especializada e hospitais para “adicionar vida aos anos, e não apenas anos à vida”. A iniciativa também visa formar uma comunidade nacional de aprendizagem e acelerar a adoção de práticas baseadas em evidências científicas.
Fonte: futurodasaude.com.br

