Normalização do Mercado de Renda Fixa
O mercado brasileiro de renda fixa demonstra sinais de normalização após um período de aumento nos spreads de crédito no início do ano, que impactou negativamente as emissões de dívida corporativa. Felipe Thut, head de renda fixa e produtos estruturados do Bradesco BBI, avalia que o cenário atual é mais positivo do que em eleições anteriores, como a de 2022.
Spreads em Queda e Retomada do Crédito Privado
Segundo Thut, os spreads de crédito em CDI têm apresentado um fechamento significativo, especialmente entre o fim de abril e a primeira quinzena de maio. Mesmo diante de eventos globais como a guerra no Oriente Médio, os spreads atuais estão em patamares inferiores aos de 2022. Para títulos com rating “AAA” e vencimento em três anos e meio, o spread em CDI, que chegou a 1% no início do ano, está agora em torno de 0,75%, abaixo da média de 1,33% observada em 2022. A expectativa é de que esses spreads continuem a cair, incentivando as empresas a buscarem o mercado para novas emissões de dívida.
Eleições e Cenário Econômico
Contrariando a percepção de que o período eleitoral possa desestabilizar o mercado, Thut acredita que as eleições terão um impacto limitado. A atenção do mercado, segundo ele, está mais voltada para a trajetória da taxa de juros e para a possibilidade de novos eventos de crédito. A prioridade para empresas e investidores reside nos planos de governo e seu potencial impacto na inflação e nos juros futuros. A ausência de novos eventos de crédito no radar contribui para essa confiança.
Perspectivas para Emissões e Debêntures
Apesar da projeção de retomada, a expectativa para o volume total de captação em renda fixa para o ano é de uma queda entre 10% a 20% em relação a 2023, quando foram captados R$ 737,7 bilhões. No entanto, o executivo ressalta que empresas com necessidade de alongar seus perfis de dívida e aquelas com planos de investimento ou fusões e aquisições (M&A) devem ser as principais emissoras. No mercado internacional, a expectativa é de emissões em torno de US$ 30 bilhões, após o recorde de US$ 35 bilhões em 2025.
Debêntures Incentivadas e Risco de Crédito
As debêntures incentivadas, por outro lado, podem continuar a apresentar desafios devido aos prazos de resgate mais longos de seus fundos, o que pode desanimar o investimento. Thut também comentou sobre a importância da precificação adequada do risco de crédito, especialmente após eventos que aumentam a cautela dos investidores. A clareza sobre a remuneração do risco é fundamental para a confiança contínua no mercado de crédito privado.
Fonte: neofeed.com.br

