Avanço na Pesquisa e o Desafio da Aplicação
O Brasil tem demonstrado um crescimento notável na produção científica, com um aumento no volume de artigos publicados por autores brasileiros. Reconhecido por sua expertise em áreas como microbiologia e saúde pública, o país agora direciona seus esforços para superar um obstáculo crucial: transformar a pesquisa científica em inovação aplicada e soluções concretas para a saúde. Essa transição é fortalecida pela colaboração entre governo, indústria e academia, conhecida como a tríplice hélice da inovação. Iniciativas como políticas de desenvolvimento nacional, transferência de tecnologia e projetos focados em saúde digital e inteligência artificial, como o PROADI-SUS, exemplificam essa nova abordagem.
Um Ecossistema em Transformação
O ambiente regulatório e econômico brasileiro tem passado por significativas adaptações, impulsionadas pela experiência da pandemia. Agências como a Anvisa estão modernizando seus processos para acompanhar o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico em saúde, criando um cenário mais receptivo para inovações. Rodrigo Demarch, diretor de inovação do Einstein, destaca a evolução do ecossistema de inovação em saúde no Brasil, apontando para um otimismo crescente, mas com espaço para expansão. Ele enfatiza o potencial de inovações brasileiras, baseadas em necessidades locais, para alcançar mercados globais.
Centros Colaborativos: Cocriação para o Futuro
O Einstein tem sido um agente ativo nesse movimento, com a criação dos Centros Colaborativos de Inovação (CCIs). Estes centros visam estabelecer parcerias de longo prazo com a indústria para desenvolver, validar clinicamente e preparar novas tecnologias em saúde para uso em larga escala. Sidney Klajner, presidente do Einstein, explica que o objetivo é a cocriação de soluções tecnológicas, conectando o ambiente assistencial real com as capacidades clínicas e científicas às agendas de pesquisa e desenvolvimento da indústria. Essa iniciativa posiciona o Einstein como um potencial “hub global de desenvolvimento tecnológico em saúde”.
Superando Barreiras e Ampliando o Acesso
Apesar da produção científica de alta qualidade, o Brasil ainda enfrenta desafios na validação científica e produção em escala de inovações. Fernando Silveira Filho, presidente executivo da ABIMED, ressalta que, diferentemente do desenvolvimento de medicamentos, o ciclo de inovação em dispositivos médicos e soluções práticas é mais ágil, exigindo celeridade de todos os envolvidos. Ele aponta um gap de sete a oito anos em tecnologia aplicada em comparação com o cenário global, mas destaca o avanço em inovações digitais. A criação de um ambiente mais próximo entre indústria, governo e academia, facilitada por centros de excelência como o Einstein, é vista como fundamental para agilizar a validação e o lançamento dessas tecnologias, promovendo equidade de acesso e qualidade assistencial.
Investimento em Inovação é Investimento no Brasil
A visão estratégica por trás dessas iniciativas é posicionar o Brasil como um destino atrativo para investimentos em saúde, aproveitando suas fortalezas únicas, como a biodiversidade e a diversidade genética e populacional. A expansão de parcerias com centros de ensino e pesquisa nacionais e globais é um objetivo a longo prazo, visando consolidar processos que cubram todo o ciclo de inovação. A mensagem central é clara: investir em inovação em saúde é investir no desenvolvimento econômico, social e na melhoria da saúde da população brasileira. A tecnologia e a inovação são vistas como alavancas essenciais para expandir o acesso à saúde de qualidade.
Fonte: futurodasaude.com.br

