O Custo Humano e Econômico das Doenças Cardiovasculares
As doenças cardiovasculares (DCVs) representam a principal causa de morte no Brasil, ceifando a vida de cerca de 400 mil brasileiros anualmente. Essa estatística alarmante, que se traduz em uma morte a cada dois minutos, afeta desproporcionalmente jovens, idosos e indivíduos de menor escolaridade e renda. Apesar do conhecimento consolidado sobre os fatores de risco e as medidas preventivas, a implementação efetiva desse saber ainda é um desafio crucial para a saúde pública do país.
Fatores de Risco e o Estilo de Vida Moderno
O estilo de vida na sociedade urbana moderna, marcado pelo sedentarismo, alimentação rica em calorias e altos níveis de estresse, contribui significativamente para o desenvolvimento de fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão e dislipidemia. O Brasil, em sua transição econômica para um perfil de economia intermediária, observa as DCVs como causa de 42% dos óbitos, um número que tende a mudar com o desenvolvimento, mas com o agravante de que muitas mortes por DCVs são precoces e evitáveis.
O Impacto na Qualidade de Vida: DALYs em Foco
Além da mortalidade prematura, as DCVs impactam a qualidade de vida, gerando incapacidades e anos de vida perdidos. Os Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (DALYs) no Brasil somam 4.035,5 por 100 mil habitantes, sendo que para mortes prematuras entre 30 e 69 anos, a taxa é de 4.902 por 100 mil. Isso demonstra que a saúde cardiovascular não é apenas sobre viver mais, mas sim sobre viver bem, com autonomia e capacidade plena.
O Conhecimento Existe, a Implementação Falta
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) ressalta que o conhecimento para combater as DCVs é vasto e disponível há mais de duas décadas. Nove fatores de risco respondem por 90% dos infartos, e a normalização do perfil lipídico, por exemplo, poderia eliminar 57% dos infartos no país, o que significa cerca de 200 mil eventos anualmente. Ações voltadas à redução do sedentarismo, alimentação saudável e saúde mental poderiam evitar aproximadamente 1 milhão de eventos cardiovasculares por ano.
A Necessidade de Estrutura e Políticas Públicas
O principal obstáculo reside na implementação prática desse conhecimento. Embora as modificações de estilo de vida, como a atividade física, sejam reconhecidas por seus benefícios, faltam serviços acessíveis e financiamento adequado, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto em planos de saúde privados. A SBC defende que a saúde cardiovascular deve ser uma prioridade permanente nas políticas públicas, exigindo um esforço conjunto de médicos, gestores e legisladores, com foco na atenção primária e na valorização do cardiologista. A urgência é clara: transformar o conhecimento em ação para reduzir drasticamente a mortalidade cardiovascular e garantir anos de vida com qualidade para todos os brasileiros.
Fonte: futurodasaude.com.br

