Vasto Acervo Digital na Saúde Básica Brasileira
O Brasil atingiu a impressionante marca de mais de 12,4 bilhões de registros digitais na Atenção Primária à Saúde (APS) desde 2013. Este volume expressivo, que continua a crescer anualmente, foi compilado em um levantamento exclusivo do Instituto epHealth, utilizando dados públicos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB). A pesquisa abrangeu o período de 2013 a março de 2026 e inclui registros de atendimentos individuais, odontológicos, procedimentos e visitas domiciliares de todo o território nacional.
Crescimento Exponencial e Potencial para Pesquisa
O estudo revela um crescimento notável na digitalização da APS. Em 2014, foram contabilizados 53,3 milhões de registros. Uma década depois, em 2025, o número saltou para 1,96 bilhão de dados, estabelecendo um recorde e uma média diária de 5,4 milhões de registros. Segundo os autores, essa vasta base de dados em escala nacional cria um ambiente propício para o desenvolvimento de estudos baseados em Evidências de Mundo Real (RWE), que utilizam informações de saúde coletadas em ambientes clínicos cotidianos.
Atenção Primária como Porta de Entrada para o Cuidado
Pedro Marton Pereira, CEO da epHealth, destaca que a Atenção Primária é crucial por ser o primeiro ponto de contato da população com o sistema de saúde. “Por registrar o primeiro contato da população com o sistema de saúde, esses dados permitem identificar fatores de risco, sinais precoces de doenças, trajetórias de cuidado e possíveis barreiras de acesso aos serviços antes que os pacientes alcancem níveis mais complexos de atendimento”, explica. A APS acompanha a trajetória do paciente ao longo da vida, mesmo quando ele necessita de cuidados de maior complexidade.
Desafios e Oportunidades para o Futuro
Para que o potencial desses registros seja plenamente aproveitado em estudos de evidência, Pereira ressalta a importância de avanços contínuos na qualidade dos dados, na integração entre diferentes bases e na governança das informações, incluindo a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “O volume de registros representa um ponto de partida importante, mas a geração de evidências exige rigor metodológico, qualidade dos dados e governança. O desafio é transformar essa capacidade instalada em conhecimento que contribua para a saúde da população e para o fortalecimento das políticas públicas”, afirma.
Distribuição dos Registros por Tipo e Localização
Os registros englobam 5,2 bilhões de visitas domiciliares, 3,9 bilhões de procedimentos, 2,8 bilhões de atendimentos individuais e 444 milhões de atendimentos odontológicos. Em 2025, foram realizadas 785 milhões de visitas domiciliares. Analisando por estado, o Tocantins lidera em registros per capita na série histórica (92,8), seguido pela Paraíba (88,2) e Santa Catarina (85,3).
Fonte: futurodasaude.com.br

