A gigante esportiva alemã Adidas sofreu um revés significativo no mercado após a Copa do Mundo FIFA 2026, registrando a maior queda intraday de suas ações desde 1995. Apesar de um desempenho robusto em vendas e receitas recordes, a empresa não atingiu as projeções de lucro operacional, gerando apreensão entre os investidores.
A presença da Adidas nas camisas de seleções finalistas como Espanha e Argentina na Copa do Mundo FIFA 2026 não se traduziu em um desempenho positivo no mercado de ações. No dia 30 de julho, os papéis da companhia alemã despencaram 19%, a maior queda diária desde sua oferta pública inicial em 1995, fechando o pregão com uma desvalorização de 11,5% e um valor de mercado de € 28,5 bilhões.
Crescimento de Vendas Mas Lucro Abaixo do Esperado
Em um cenário onde a Adidas vinha sendo cobrada por mais investimento em branding e inovação, o CEO Bjorn Gulden apostou alto, destinando € 212 milhões em marketing para a Copa do Mundo, um aumento de 30%. Essa estratégia parece ter impulsionado as vendas, com a empresa registrando uma receita recorde de € 6,74 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 14% em relação ao ano anterior. A comercialização de camisas foi quatro vezes maior que no Mundial do Catar, e as vendas da bola oficial dobraram.
No entanto, o lucro operacional atingiu € 574 milhões, ficando aquém dos € 623 milhões previstos pelo mercado. Esse resultado, embora represente um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, sinalizou para os investidores uma expansão de rentabilidade menor do que a precificada, levando à reação negativa.
Visão Cautelosa e a Polêmica das Chuteiras Cor-de-Rosa
A Adidas manteve sua projeção de lucro operacional anual em torno de € 2,3 bilhões, indicando uma postura cautelosa para o restante do ano. O CEO Bjorn Gulden, desde que assumiu em janeiro de 2023, tem focado na reconstrução da marca e na recuperação de participação de mercado, vendo a Copa como um palco crucial para essa estratégia.
Um ponto de desconforto durante o torneio foi a predominância de chuteiras cor-de-rosa usadas por diversos atletas. Gulden admitiu que a uniformidade da cor foi um “acidente” e que a empresa buscará maior diversidade cromática em seus produtos futuros. “Quando a temporada voltar, vocês verão muitas chuteiras que não serão rosas”, prometeu o CEO, buscando sinalizar uma renovação e diferenciação em relação às concorrentes, como Nike, On e Hoka.
Fonte: neofeed.com.br

