Fatores Sazonais e a Páscoa Impulsionam Vendas em Março
As vendas do varejo brasileiro registraram uma melhora modesta em março, com um crescimento nominal de 0,6%, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado foi significativamente influenciado pela base de comparação mais favorável devido ao deslocamento do Carnaval, que ocorreu em fevereiro em 2026 e em março em 2025. Essa mudança beneficiou setores como autopeças e serviços automotivos, ao mesmo tempo em que impactou negativamente bares e restaurantes. A antecipação da Páscoa, celebrada no início de abril em 2026, também concentrou parte das compras no final de março, contribuindo para o desempenho geral.
Consumidor Cauteloso e Endividamento Recorde
No entanto, ao descontar o efeito calendário, o ICVA aponta para um recuo de 1% em março, evidenciando que os eventos sazonais foram cruciais para o resultado positivo. Essa performance mais fraca, sem os efeitos das datas comemorativas, reforça a percepção de um consumidor ainda cauteloso. A renda permanece pressionada pela inflação e o endividamento das famílias atingiu um recorde de 80,4% em março, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar disso, observou-se uma ligeira redução na parcela de famílias que declaram não conseguir quitar suas dívidas, indicando um esforço maior em organização financeira, com priorização de gastos essenciais e maior intermitência nas compras discricionárias.
Desempenho Setorial e Regional Divergente
Em termos reais e descontada a inflação, o setor de bens não duráveis se destacou em março com um crescimento de 3,2%, impulsionado pela Páscoa e pelo bom desempenho do varejo alimentício especializado. Cosméticos e higiene pessoal, por outro lado, apresentaram recuo. O setor de Serviços registrou queda de 3,7%, impactado principalmente por Alimentação – Bares e Restaurantes. Já Bens duráveis e semiduráveis tiveram uma retração de 1,8%, com destaque positivo para móveis, eletrodomésticos e lojas de departamento, beneficiados por promoções.
Nordeste Lidera Crescimento Regional, Enquanto Outras Regiões Apresentam Quedas
Na análise regional, o Nordeste despontou com o maior crescimento real, apresentando alta de 1,9% no ICVA deflacionado sem ajuste de calendário, seguido pelo Sul com 1,4%. Em termos de estados, Sergipe liderou o crescimento com 6,5%, seguido por Amapá (+5,0%) e Minas Gerais (+4,0%). A Cielo atribui esse dinamismo a fatores como estímulos sazonais e maior resiliência de setores específicos. Em contrapartida, o Pará registrou a maior queda (-3,4%), seguido por Goiás (-2,0%) e Roraima (-1,4%), possivelmente refletindo maior sensibilidade à inflação e menor intensidade de estímulos ao consumo nessas localidades. A cautela do consumidor também pode ter impulsionado setores não essenciais como turismo e transportes, com companhias aéreas registrando alta relevante, possivelmente influenciada pela antecipação de compras devido à incerteza sobre o preço do petróleo, e postos de combustíveis, com aumento no consumo nominal.
Fonte: viva.com.br

