quarta-feira, agosto 5, 2026
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Tarifaço e Antidumping dos EUA: Mel, Borracha e Papel Brasileiros Sofrem Duplo Golpe e Perdem Competitividade

Crise Dupla para Exportadores Brasileiros

Diversos setores produtivos brasileiros, incluindo aço, alumínio, cobre, mel, suco de limão, borracha e papel não-revestido, estão sendo severamente impactados por uma combinação de tarifas de importação e medidas antidumping impostas pelos Estados Unidos. Essa política comercial, intensificada durante a gestão do ex-presidente Donald Trump, tem gerado dificuldades significativas para a competitividade e, em alguns casos, tornado as exportações inviáveis.

O Complexo Cenário das Tarifas Antidumping

Embora alguns setores tenham conseguido escapar das novas tarifas relacionadas a trabalho forçado, a persistência das tarifas antidumping, somada a medidas de tarifaço anteriores, cria um cenário desafiador. O advogado Celso Figueiredo, especialista em direito internacional, destaca a complexidade e a morosidade do processo para contestar tarifas antidumping. Cada caso exige a apresentação de provas técnicas e negociações com diversas instâncias do governo americano, um processo que pode levar anos.

Impactos Setoriais: Do Mel ao Papel

O impacto dessas tarifas varia entre os setores. Enquanto a cobrança não elimina totalmente as exportações, ela diminui drasticamente a vantagem competitiva em relação a outros países. Para setores como o de suco de limão, a combinação de tarifas pode significar o fim das exportações para os EUA. No caso do mel orgânico, que já enfrenta tarifas antidumping desde 2021, a sobretaxa, embora reduzida recentemente, ainda representa um obstáculo significativo, especialmente considerando que cerca de 80% dos embarques brasileiros de mel orgânico têm os EUA como destino.

O setor de papel e celulose também sente o peso das medidas. Com tarifas que totalizam 37,5% (12,5% por trabalho forçado e 25% aplicadas ao Brasil), as exportações para o mercado norte-americano têm diminuído, gerando preocupações sobre a manutenção da competitividade. Carlos Mariotti, da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), aponta que o desequilíbrio no comércio internacional tem levado à proteção de mercados nacionais, com exportações asiáticas que antes iam para os EUA agora se deslocando para a América do Sul, inclusive o Brasil, pressionando o mercado interno.

A Busca por Equilíbrio e Competitividade

Apesar das dificuldades, entidades setoriais buscam estratégias para mitigar os efeitos das tarifas. No setor apícola, a concorrência de outros países que também enfrentam processos por suposto dumping nos EUA tem aliviado um pouco a pressão. No entanto, a dependência do mercado americano é alta, e a eliminação das tarifas antidumping é um objetivo constante. A indústria de papel e celulose foca em manter a competitividade em um cenário de crescentes barreiras comerciais, enquanto busca soluções para o deslocamento de exportações asiáticas para a América do Sul.

Fonte: neofeed.com.br

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