Aumento do Investimento em Defesa
A Suíça, conhecida por sua neutralidade histórica, tem alterado significativamente sua postura em relação aos gastos com defesa. Impulsionado pelas novas ameaças que emergem no cenário global, como drones, mísseis e ciberataques, o país decidiu aumentar o investimento em sua capacidade de defesa aérea e fortalecer a cooperação com parceiros europeus. Essa mudança de estratégia reflete uma tendência observada em outros países europeus que, historicamente, alocavam menos recursos para a defesa.
Atualmente, a Suíça destina cerca de 0,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para despesas de defesa, um índice considerado baixo em comparação com muitos membros da OTAN. No entanto, o governo suíço planeja elevar gradualmente essa porcentagem para 1% até 2032. Para contextualizar, a Alemanha, por exemplo, investe aproximadamente 2,4% do seu PIB em defesa.
Lacunas na Defesa Aérea e a Iniciativa “European Sky Shield”
Apesar de possuir um exército de milícia robusto com cerca de 140.000 militares, a Suíça reconhece a necessidade de modernizar seu equipamento, especialmente no que diz respeito à defesa aérea. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, destacou a participação da Suíça na iniciativa “European Sky Shield” (Escudo Europeu de Defesa Aérea), um projeto multinacional liderado pela Alemanha que visa construir sistemas comuns de defesa aérea e antimísseis. Através dessa iniciativa, a Suíça está adquirindo, juntamente com a Alemanha, o sistema de defesa aérea IRIS-T SLM.
Especialistas apontam que sistemas como o IRIS-T SLM são eficazes contra ameaças de médio alcance, como aviões e mísseis de cruzeiro, além de drones maiores. Contudo, a eficácia contra drones de baixo custo e utilizados em massa é limitada. A estratégia suíça, portanto, envolve complementar o IRIS-T com medidas de proteção mais amplas e escalonadas, visando cobrir diferentes tipos de ameaças aéreas. Essa abordagem acompanha a tendência europeia de reforçar a defesa terra-ar.
A Ameaça Real dos Drones e a Adaptação Suíça
A Suíça, um país sem litoral e inteiramente cercado por outras nações, incluindo três membros da OTAN (Itália, Alemanha e França), não está imune à ameaça de drones. O exército suíço tem expandido suas capacidades nesse setor, introduzindo uma “escola de pilotagem de drones” no treinamento de recrutas. O objetivo é que, futuramente, cada pelotão conte com vários pilotos de drones treinados, focando inicialmente em drones de reconhecimento, mas com planos de incluir drones de ataque a longo prazo. Drones FPV (first-person view) e kamikaze, que podem carregar explosivos ou serem dirigidos diretamente contra alvos, estão sendo testados.
O perigo representado por mini-drones e enxames de drones é considerado real, especialmente pela presença de infraestruturas críticas na Suíça. Ataques a essas infraestruturas e à logística são uma preocupação imediata. A aquisição de drones e sistemas de defesa contra drones para 2026 prevê um investimento de 70 milhões de francos, o dobro do ano anterior. O exército suíço também está analisando o uso de drones para tarefas de transporte e remoção de explosivos.
Neutralidade em Debate
A intensificação dos investimentos em defesa e a cooperação mais estreita com parceiros europeus levantam questões sobre o impacto na neutralidade suíça. Embora a neutralidade seja um pilar popular na sociedade suíça, a atual situação de segurança exige uma adaptação. A Suíça tem se posicionado de forma a tratar agressores e vítimas de forma igualitária, alinhada a uma concepção de neutralidade mais antiga. No entanto, a necessidade de fortalecer a defesa aérea, o armamento e a realização de exercícios conjuntos com outros países europeus sinalizam uma evolução na forma como a Suíça garante sua segurança em um mundo em constante mudança.
Fonte: pt.euronews.com

