quarta-feira, agosto 12, 2026
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Saúde Suplementar: Incorporação de Novos Medicamentos Diminui e Acesso se Reduz, Aponta Estudo da Interfarma

Ritmo de Inclusão de Novas Moléculas em Queda

O acesso a medicamentos inovadores na saúde suplementar brasileira tem apresentado uma desaceleração significativa nos últimos anos. Um estudo recente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) aponta que o ritmo de incorporação de novas moléculas nos planos de saúde diminuiu em todas as vias de acesso do setor privado. A média anual de novos remédios incluídos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) caiu drasticamente de aproximadamente 18,5 para apenas sete.

O levantamento detalha que, no biênio 2019-2020, foram incorporados 37 novos medicamentos. Contudo, no período de quatro anos entre 2021 e 2024, esse número recuou para 28. Além disso, a pesquisa destaca que apenas 25% das tecnologias incorporadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), resultaram em novas inclusões na saúde suplementar.

Barreiras no Processo de Avaliação e Impacto Orçamentário

Especialistas apontam que a dificuldade na incorporação de novos tratamentos é agravada por problemas no próprio processo de análise da Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde). A falta de previsibilidade nas decisões e a ausência de padronização nos métodos e critérios de avaliação das tecnologias são apontadas como entraves que podem funcionar como barreiras ao acesso. Julia Galendi, coordenadora médica da Unimed, ressalta a “falta de clareza nas decisões” e a adoção de “pesos e medidas diferentes a depender do caso”, o que prejudica fornecedores, operadoras e prestadores de serviço.

O estudo da Interfarma também revela que o impacto orçamentário tem ganhado um peso considerável nas decisões de incorporação, por vezes sobrepondo-se às evidências científicas. Essa priorização pode levar à inclusão de medicamentos que oferecem descontos maiores, mesmo que suas evidências de eficácia sejam menos robustas. O presidente da ANS, Wadih Damous, afirmou que a agência tem incentivado a base em evidências científicas para as incorporações e que as questões levantadas pela pesquisa serão discutidas.

Restrições na Cobertura de Medicamentos Orais e Lacunas de Acesso

Outro ponto crítico apontado pela Interfarma são as regras para a cobertura de medicamentos de uso domiciliar. Atualmente, os planos de saúde são obrigados a cobrir remédios orais utilizados fora do ambiente hospitalar apenas em situações específicas, como no caso de tratamentos oncológicos. Essa restrição foi o motivo para a negativa de incorporação de 79% dos medicamentos analisados entre 2022 e 2026.

A pesquisa identificou que 47 medicamentos orais para doenças raras e 18 para doenças crônicas imunomediadas já foram aprovados no Brasil, mas nenhum deles foi incorporado à saúde suplementar. Helaine Capucho, diretora de acesso ao mercado da Interfarma, alerta que essas “lacunas de acesso acabam trazendo demanda para o sistema público” e que a limitação na cobertura de medicamentos orais pode, em última instância, ser mais custosa do que o auxílio ao paciente em casa, além de reduzir a adesão ao tratamento.

Medicamentos Representam Menor Parte das Despesas Assistenciais Comparado a Fraudes

A pesquisa da Interfarma desmistifica a ideia de que os medicamentos são os principais vilões da sustentabilidade dos planos de saúde. Segundo o estudo, os medicamentos representam cerca de 7% das despesas assistenciais. Em contrapartida, fraudes, desvios e sobreutilização somam um impacto financeiro aproximadamente duas vezes maior, chegando a cerca de R$ 52,5 bilhões em 2024. O custo anual com medicamentos de alto impacto clínico, por sua vez, é estimado entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.

As despesas com medicamentos oncológicos, por exemplo, representam menos de 1% em áreas de medicina de grupo e 4% nas operadoras de autogestão. Em termos individuais, de um desembolso médio anual de R$ 6 mil a R$ 7 mil por pessoa, apenas R$ 600 a R$ 700 são destinados a medicamentos. Já as perdas com fraudes e uso excessivo chegam a R$ 1.050 a R$ 1.500 por pessoa. A entidade defende que a discussão sobre a sustentabilidade do setor deve também focar na organização do sistema e na redução de desperdícios, em vez de se concentrar unicamente nos custos de novas tecnologias.

Fonte: futurodasaude.com.br

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