Queda nos Resultados e Desapontamento do Mercado
O Santander Brasil divulgou resultados do segundo trimestre que indicam uma desaceleração em seus indicadores financeiros. O lucro líquido gerencial recorrente atingiu R$ 3 bilhões, representando uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 20,4% na comparação trimestral. Essa performance ficou abaixo das expectativas do mercado, com analistas consultados pela Bloomberg prevendo um lucro em torno de R$ 3,5 bilhões. A rentabilidade também sofreu um revés, com o retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) recuando para 12,5%, 3,4 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior e 3,8 pontos percentuais inferior ao do ano passado.
A Estratégia de “Jogar Seguro” e o Aumento das Provisões
Diante de um cenário macroeconômico considerado mais desafiador, o CFO do Santander Brasil, Carlos Muñiz, explicou que o banco tem adotado uma estratégia de “jogar seguro”, focando em equilibrar risco e retorno. Essa postura defensiva se reflete no aumento da provisão para devedores duvidosos (PDD), que totalizou R$ 7,6 bilhões, um avanço de 20,6% em relação ao trimestre anterior e de 11,5% anualmente. Segundo o banco, esse aumento foi impulsionado por casos específicos no segmento atacadista e uma maior prudência no segmento massificado.
Impacto nas Ações e Perspectivas de Longo Prazo
Os resultados apresentados tiveram impacto direto no desempenho das units do Santander Brasil em bolsa, que registraram queda de 6,76% após a divulgação do balanço. No acumulado do ano, as ações já acumulam uma desvalorização de 23,5%. Muñiz ressaltou que a prioridade atual não é o market share, mas sim garantir a rentabilidade e a compatibilidade dos negócios com o nível de risco assumido. A expectativa é que a recuperação dos resultados e da rentabilidade do banco ocorra apenas a partir de 2027, com o Santander concentrando esforços em operações com garantias, crédito imobiliário e atendimento a clientes de alta renda e PMEs, enquanto reduz a exposição a produtos de maior risco.
Revisão de Cenário e Expectativas Futuras
O executivo também indicou que não há otimismo quanto a uma melhora significativa na PDD ainda em 2026, pois novas premissas econômicas mais desafiadoras serão incorporadas aos modelos. Muñiz projeta que a normalização da qualidade da carteira e a retomada de patamares mais razoáveis de rentabilidade só devem ser observadas no início de 2027. A estratégia atual, que prioriza a robustez em cenários voláteis, pode resultar em spreads menores no curto prazo, mas visa a sustentabilidade e a solidez do banco a médio e longo prazo.
Fonte: neofeed.com.br

