Zema se apresenta como “outsider” para “turnaround” do Brasil
Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, se define como um empresário com a missão de realizar um “turnaround” no Brasil, comparando sua proposta à de um CEO que assume uma empresa em reestruturação. Em entrevista ao programa Eleições 2026, do NeoFeed, Zema argumentou que o país precisa de uma “chacoalhada” para evitar o “abismo fiscal” e que um político tradicional não teria a mentalidade necessária para promover as mudanças profundas que ele acredita serem urgentes.
Com uma carreira política iniciada na onda antipolítica de 2018, Zema foi eleito governador de Minas Gerais com expressiva votação e reeleito em 2022. Apesar de pesquisas atuais o colocarem com pontuação menor, ele aposta em sua capacidade de surpreender novamente, espelhando o feito de sua gestão em Minas, onde, segundo ele, herdou uma dívida alta e atrasos salariais, mas conseguiu reequilibrar as contas com a venda de estatais.
Agenda econômica: privatização total e “menos Estado”
A plataforma econômica de Zema se baseia em quatro pilares: privatização total, reforma administrativa, uma “reforma previdenciária 2” e revisão de programas sociais. Ele defende a venda de todas as empresas estatais, incluindo a Petrobras, argumentando que o Estado tem funções essenciais em áreas como segurança, saúde e educação, e não deveria se dedicar à gestão de negócios. “O Estado já tem coisa demais para fazer na área de segurança pública, de saúde, de educação, infraestrutura e ainda quer ficar administrando empresa?”, questiona.
Zema cita o exemplo de Minas Gerais, onde privatizou 118 estatais e participações em empresas, e defende que a venda de ativos lucrativos pode gerar mais rendimento se aplicados em outras áreas. Ele também ressalta a importância da eficiência na máquina pública, propondo uma melhora anual de 1% na eficiência de municípios, estados e União. “Chega de só aumentar o tecido adiposo no Brasil”, declarou.
Flexibilização da CLT e trabalho por hora como “opção”
Um dos pontos centrais da entrevista foi a crítica à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que Zema descreveu como “venerada pela esquerda”. Ele propõe a criação de uma alternativa ao modelo atual, com a introdução do trabalho por hora. “Na hora que um brasileiro casa, ele pode ter comunhão total de bens, separação total, separação parcial, ajuntar. Na hora que vai trabalhar no Brasil não existe outra opção. Eu quero criar o trabalho por hora e vai ter um aumento na formalização gigante”, afirmou.
Zema argumenta que essa medida, juntamente com a flexibilização de outros pontos da CLT que teriam sido “mutilados” pelo Judiciário, traria trabalhadores informais para o mercado formal, aumentaria a arrecadação e tornaria o país menos informal. Ele também criticou o que chamou de “corporativismo da Justiça trabalhista”, citando a questão da sucumbência como um exemplo de distorção que só ocorre no Brasil.
Relações internacionais e crítica à polarização
Nas relações internacionais, Zema criticou a política externa do governo Lula, que, segundo ele, criou atritos desnecessários com os Estados Unidos e aproximou o Brasil de regimes não democráticos. Ele defende uma abordagem pragmática e de “tapete vermelho” para todos os grandes parceiros comerciais, incluindo China e EUA, alertando para o risco de dependência excessiva de um único país.
O candidato também comentou sobre a polarização política, defendendo que o foco deveria ser na busca de soluções para os problemas do país, em vez de “jogar pedra no outro”. Ele se apresenta como um candidato com coragem para combater a corrupção e que não tem “rabo preso”, diferenciando-se de políticos que, em sua visão, sempre viveram de recursos do Estado.
Fonte: neofeed.com.br

