domingo, junho 21, 2026
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Quase 190 mil bebês nasceram de crianças vítimas de estupro em 10 anos no Brasil, revela Ministério

Vulnerabilidade amplificada pela política

Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que, nos últimos dez anos, quase 190 mil bebês foram gerados por crianças vítimas de estupro. A triste realidade ganhou contornos ainda mais preocupantes com a recente aprovação, no Senado, de um projeto de decreto legislativo (PDL) que suspende uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida, que visa dificultar o acesso ao aborto legal em casos de gravidez decorrente de estupro, foi aprovada em uma sessão remota rápida e sem debate.

Impacto desproporcional em meninas de baixa renda

Especialistas alertam que a suspensão da resolução do Conanda pode ter um impacto desproporcional sobre meninas e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Cauê Martins, pesquisador, destaca que, enquanto famílias com mais recursos podem recorrer a clínicas privadas para interromper a gravidez, aquelas em situação de pobreza terão seu acesso ao direito negado. “A gente tem que ponderar quais são as famílias que vão deixar de acessar esse direito. A depender da classe social que essas meninas façam parte, algumas vão continuar tendo acesso pela via privada e outras não. Isso precisa ser ressaltado: quem vai deixar de acessar o serviço”, pontua Martins.

Raça e região: um retrato da desigualdade

O levantamento também revela um perfil das vítimas. Meninas pardas são as mais atingidas, representando sete a cada dez nascimentos de bebês gerados por estupro. Em termos regionais, o Nordeste lidera, com quatro a cada dez nascimentos. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 corroboram essa vulnerabilidade, indicando São Paulo, Paraná e Pará como os estados com maior número absoluto de registros de estupro de vulnerável. Juntos, concentraram 35% dos casos em 2024.

O ambiente familiar como palco do crime

A análise por idade no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 mostra que meninas de 13 anos são as mais vitimizadas, e que no ano passado, 61,3% das vítimas de estupro no país foram crianças com até 13 anos, totalizando 51.677 casos. Um dado alarmante é que o principal local de ocorrência desses crimes é a residência. “É preciso analisar também o principal local de ocorrência desses crimes, que é a residência, o ambiente familiar”, destaca Martins. “Esse é o mais incômodo de se tratar. O senso comum tem a impressão de que o crime é cometido em situações fora de casa, mas na maioria dos casos é cometido por alguém do convívio ou da família”, conclui o pesquisador.

Fonte: viva.com.br

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