domingo, junho 21, 2026
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Projeto de Lei Propõe Flexibilizar Parecer Técnico em Ações de Saúde Urgentes

Mudanças na Análise de Pedidos de Saúde no Judiciário

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca alterar as regras para a concessão de tratamentos médicos, terapias e tecnologias em saúde que ainda não foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Apresentada pela deputada Renata Abreu (Podemos-SP), a proposta, identificada como PL 2961/2026, visa permitir que juízes concedam medidas de urgência sem a necessidade de um parecer prévio dos Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NatJus), em situações específicas de risco iminente à saúde do paciente.

Pareceres do NatJus: Opinião Técnica, Não Obrigatória

O projeto estabelece que os pareceres técnicos dos NatJus terão caráter opinativo e não vinculante. Isso significa que a manifestação desses núcleos será analisada juntamente com outros elementos do processo judicial. Em casos de urgência, o magistrado poderá decidir com base em laudo médico fundamentado, exames, histórico clínico e documentos apresentados pelas partes. A intenção é que a análise técnica não se torne um impeditivo para o acesso rápido a tratamentos vitais.

Urgência e Risco à Vida: Prioridade na Decisão Judicial

A proposta detalha que a ausência do parecer prévio do NatJus não poderá impedir a concessão de uma liminar em situações de risco à vida, agravamento irreversível de doenças, danos graves à saúde, sofrimento intenso ou comprometimento permanente do desenvolvimento físico, neurológico, cognitivo ou psicossocial do paciente. Nesses cenários, o parecer técnico poderá ser solicitado posteriormente, em um prazo máximo de 72 horas, sem que isso anule automaticamente a decisão judicial inicial.

Justificativa e Proteção de Grupos Vulneráveis

A deputada Renata Abreu argumenta que, embora os NatJus sejam importantes para a qualificação das decisões, seus pareceres não devem criar barreiras ao acesso à justiça em casos urgentes. A justificativa do projeto destaca a necessidade de garantir que a análise técnica caminhe ao lado da urgência. O projeto também prevê atenção especial a crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, pacientes com doenças raras, epilepsia refratária, autismo, doenças degenerativas e neurológicas graves, assegurando princípios como prioridade absoluta e proteção integral.

Posição do CNJ e Mecanismos Existentes

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da conselheira Daiane Lira, supervisora do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), avalia que os mecanismos atuais já permitem atender a situações de urgência. Segundo Lira, muitos NatJus possuem sistemas de plantão capazes de emitir notas técnicas rapidamente. Além disso, quando a análise individualizada não é imediata, os juízes podem consultar notas técnicas já existentes no banco de dados nacional e-NatJus. O CNJ reitera que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a consulta prévia ao NatJus é obrigatória em casos de medicamentos não incorporados ao SUS, sendo a prescrição médica assistente insuficiente por si só para fundamentar uma liminar.

Fonte: futurodasaude.com.br

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