Cenário de Precificação em Risco
O presidente da divisão farmacêutica da Bayer, Stefan Oelrich, alertou que a Europa pode enfrentar um aumento nos preços dos medicamentos. A declaração foi feita durante o Pharma Media Day em Berlim, onde Oelrich, que também lidera a European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations (EFPIA), explicou que as políticas americanas de incentivo à produção local e a busca pela redução de preços nos EUA criam um cenário insustentável para a indústria farmacêutica europeia.
“Se baixarmos os preços americanos para alinhar aos preços europeus, não conseguiremos refinanciar nossos gastos. É impossível”, afirmou Oelrich. Ele argumenta que a indústria não opera nesse nível de precificação e que alinhar-se ao menor preço globalmente pode levar à retração e à falta de desenvolvimento de novas terapias. “É por isso que a Europa terá que aumentar seus preços. É inevitável”, concluiu.
Propostas para Acesso e Sustentabilidade
Para contornar essa situação e garantir o acesso a tratamentos, Oelrich defende a separação entre a precificação e o reembolso de medicamentos nos países europeus. Ele sugere modelos flexíveis, como o compartilhamento de risco e a possibilidade de os pacientes arcarem com parte do custo de tratamentos inovadores, caso desejem. Essa abordagem, segundo ele, já é observada em mercados como a América Latina, onde os pacientes, por vezes, optam por pagar por tratamentos essenciais mesmo que o custo seja elevado.
“Na América Latina isso acontece, porque muitas vezes as pessoas pagam do próprio bolso. […] Na Europa, eu aceito o preço que me oferecem, mas o produto não existe no mercado. E estamos cada vez mais enfrentando situações em que o produto não estará disponível”, comparou, ressaltando a urgência de adaptação.
Inovação e o Futuro da Bayer
A Bayer está investindo em pesquisa e desenvolvimento, com um estudo de fase III para um medicamento que visa reduzir o risco de um segundo Acidente Vascular Cerebral (AVC). A empresa também avança em pesquisas para doenças de Parkinson, cardiovasculares, renais, oncologia e neurologia. Oelrich expressou otimismo com o lançamento de novos produtos a partir de 2027, que deverão compensar o impacto da perda de patente de medicamentos como Xarelto e Eylia.
“Esses sucessos criarão a próxima patent cliff, que ocorrerá por volta de 2032 e 2034. É para isso que precisamos nos preparar e é por isso que a inovação é tão importante para nós”, destacou.
Brasil como Parceiro Estratégico
O executivo destacou o Brasil como o segundo maior mercado da Bayer e apontou o fortalecimento da propriedade intelectual e a retenção de cientistas como fatores cruciais para aprofundar a parceria. Ele elogiou o recente avanço da Argentina na proteção à propriedade intelectual e vê potencial para que o Brasil siga o mesmo caminho, atraindo mais investimentos e impulsionando a inovação local. “A América Latina pode contribuir e pode fazer parte do jogo da inovação. Mas isso não começa conosco. Tudo começa com um setor acadêmico forte”, concluiu.
Fonte: futurodasaude.com.br

