Porto e Fleury Desistem de Transação Bilionária com Oncoclínicas; Pacientes e Rede de Atendimento em Risco
Com a desistência de Porto Seguro e Fleury, futuro da Oncoclínicas se torna incerto, com atrasos em tratamentos e preocupação da ANS com a continuidade da assistência oncológica.
A Oncoclínicas, empresa líder em tratamento oncológico, enfrenta uma crise financeira sem precedentes que culminou na desistência da Porto Seguro e do Fleury em realizar um aporte de R$ 1 bilhão. A transação, vista como uma oportunidade crucial para a continuidade operacional da companhia, foi comunicada na última segunda-feira (13), deixando pacientes e a rede de atendimento em um cenário de incertezas.
ANS Preocupada com Pacientes e Continuidade do Tratamento
Wadih Damous, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), expressou profunda preocupação com os pacientes oncológicos e a garantia da continuidade da assistência. “Infelizmente, trata-se de algo que nós não temos gerência, é resultado financeiro de uma empresa. A nossa preocupação é com as pessoas que podem ter seu tratamento interrompido”, afirmou Damous. Segundo ele, prestadores de serviço já se antecipam para oferecer tratamento oncológico, buscando mitigar os impactos de uma eventual quebra da Oncoclínicas.
Detalhes da Transação Descontinuada e Análises de Mercado
A proposta original previa a consolidação de ativos e operações da Oncoclínicas em uma nova empresa, com um aporte de R$ 500 milhões de cada um dos parceiros e a emissão de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis. Analistas do BTG Pactual consideraram a desistência parcialmente esperada, citando a complexidade da operação e os desafios financeiros da Oncoclínicas. A análise aponta que o elevado endividamento e potenciais passivos fora do balanço dificultam a entrada de players bem capitalizados.
Impactos e Medidas de Contenção da Oncoclínicas
A Oncoclínicas, com 144 unidades pelo país, acumula um prejuízo de R$ 3,6 bilhões, o que tem comprometido a prestação de serviços. Cerca de 6 mil pacientes já tiveram seus tratamentos atrasados. Em um movimento para contornar a situação, a empresa aprovou um empréstimo de R$ 100 a R$ 150 milhões com a Mak Capital e a Lumina Capital para aquisição de medicamentos. A aprovação está condicionada à renúncia do conselho de administração, com Bruno Ferrari deixando seus cargos e Mateus Affonso Bandeira (indicado pela MAK Capital) e Carlos Gil Ferreira (diretor-presidente da Oncoclínicas) assumindo como membros do conselho.
Histórico de Expansão e Agravamento da Crise
Nos últimos anos, a Oncoclínicas expandiu significativamente, com aquisições bilionárias e entrada no mercado internacional. No entanto, a situação se agravou em 2025 com o aumento da dívida para quase R$ 4 bilhões e perdas relevantes, como R$ 861,9 milhões em recebíveis da Unimed Ferj. A liquidação extrajudicial do Banco Master também resultou na perda de acesso a R$ 433 milhões em CDBs. A companhia tem buscado negociações com credores através de medidas como standtill e waiver para tentar estabilizar sua situação financeira.
Fonte: futurodasaude.com.br

