Investigação em Andamento
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, sob suspeita de falsidade ideológica. A investigação busca determinar se documentos institucionais foram forjados para acelerar processos políticos internos, como a reforma estatutária e a possível criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no clube.
Origem da Denúncia e Foco da Apuração
A investigação teve início após uma representação da própria Comissão de Ética do São Paulo, que apontou indícios de irregularidades criminais em um parecer datado de dezembro de 2025. O documento, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Gandra Martins, então presidente e secretário do Conselho Consultivo, é o foco central. A suspeita é que Olten Ayres teria entregado o parecer já redigido para coleta de assinaturas, sem que houvesse deliberação formal do órgão.
Conflito Político e Próximos Passos
O caso ganhou corpo após o presidente da diretoria executiva, Julio Casares, iniciar um processo de reforma estatutária. Para avançar, era necessária a consulta ao Conselho Consultivo. A investigação aponta que Olten Ayres teria facilitado o andamento da proposta ao apresentar um documento de “irrestrito endosso”, que, segundo depoimentos posteriores, não refletia a vontade coletiva do colegiado. Um e-mail de Ives Gandra Martins, citado na fundamentação da Comissão de Ética, admitiria que o relatório favorável à reforma se baseou em conversas isoladas e que a redação final teria sido elaborada por um advogado do clube. Em abril, Olten Ayres invalidou um parecer contrário à reforma emitido pela Comissão Legislativa, alegando que o órgão extrapolou o prazo. A situação de Ayres será submetida ao plenário do Conselho Deliberativo, que votará seu afastamento preventivo.
Posição de Olten Ayres
Em nota, Olten Ayres de Abreu Júnior esclareceu que, até o momento, não recebeu notificação formal sobre a investigação. Ele reafirmou que seus atos sempre foram pautados pela legalidade, transparência, ética e compromisso com o interesse institucional do São Paulo. Segundo Ayres, não houve prática irregular, ocultação de informações, desvio de finalidade ou obtenção de benefício pessoal, e que as medidas adotadas pela Presidência do Conselho sempre tiveram caráter público e institucional. Ele se colocou à disposição para prestar esclarecimentos assim que for formalmente comunicado.
É importante ressaltar que este inquérito não possui relação direta com outras investigações que a Polícia Civil e o Ministério Público apuram na gestão de Julio Casares, envolvendo suspeitas de lavagem de capitais, exploração irregular de camarotes e corrupção no departamento social do clube.
Fonte: www.poder360.com.br

