Transferência de Tecnologia como Motor Principal
Um estudo inovador liderado pelo Banco Central Europeu (BCE) desvendou a principal motivação por trás dos vultosos investimentos chineses no exterior entre 2012 e 2021: a aquisição de tecnologia. Cerca de US$ 3,3 trilhões foram investidos na compra de ativos globais, com um foco estratégico em setores de alta intensidade em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Essa estratégia, intensificada após o lançamento da iniciativa governamental “Made in China 2025”, visa transformar o país em uma potência industrial de alta tecnologia, reduzindo a dependência de conhecimento estrangeiro e elevando a competitividade global.
A Rastreabilidade dos Investimentos e o Papel dos Paraísos Fiscais
A pesquisa, liderada por Luc Laeven do BCE em colaboração com professores de universidades renomadas, analisou dados de mais de 161 mil empresas em 159 países. Para contornar a opacidade das estatísticas oficiais de Investimento Estrangeiro Direto (IED), os pesquisadores rastrearam cadeias de propriedade complexas, muitas vezes passando por paraísos fiscais. Descobriu-se que quase dois quintos desse investimento fluíram através de pelo menos um paraíso fiscal, revelando uma presença global chinesa muito mais ampla do que o inicialmente estimado. As Ilhas Cayman, por exemplo, foram um ponto de trânsito significativo para aproximadamente US$ 800 bilhões em participações chinesas.
Estratégia de Longo Prazo: Investimento em P&D e o Efeito nas Patentes
Após a aquisição de empresas estrangeiras, especialmente aquelas com forte investimento em P&D e integradas à cadeia de suprimentos, observou-se um aumento no estoque de capital e nos gastos com pesquisa e desenvolvimento por parte das subsidiárias. No entanto, o estudo aponta uma aparente contradição: as empresas adquiridas não apresentaram um aumento proporcional no registro de patentes. Pelo contrário, os lucros dessas empresas-alvo sofreram um impacto negativo, com o retorno sobre os ativos caindo em média 1,1 ponto percentual. Essa observação levou os pesquisadores a investigar uma explicação alternativa para o baixo retorno financeiro imediato.
O Fenômeno das “Efeitos Indiretos” de Inovação
A chave para desvendar essa aparente ineficiência reside nos “efeitos indiretos” de inovação. Enquanto as empresas-alvo não demonstram um aumento significativo em suas próprias patentes, as empresas matrizes chinesas experimentam um crescimento acentuado no número de patentes concedidas após suas primeiras aquisições em economias desenvolvidas. O número médio de patentes registradas pelas matrizes chinesas mais que triplicou no ano fiscal seguinte à primeira aquisição no exterior, e quadruplicou para empresas estatais. Este padrão é exclusivo da China, sugerindo uma estratégia deliberada de internalizar capacidades tecnológicas e aplicá-las no mercado doméstico, possivelmente como uma forma de contornar regulamentações fiscais e impulsionar o desenvolvimento econômico interno.
Fonte: neofeed.com.br

