quarta-feira, junho 17, 2026
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Meta Lucra com Páginas de Desinformação no Facebook, Mesmo Após Suspensão, Revela Estudo

Estudo Expõe Continuada Monetização de Conteúdo Falso

Um novo estudo conduzido pela organização sem fins lucrativos What to Fix e pela Raskrinkavanje, uma agência de verificação de fatos da Bósnia, revelou que páginas do Facebook sinalizadas repetidamente por disseminar desinformação continuam a gerar receita. A análise abrangeu mais de 290 páginas na Bósnia que foram marcadas por parceiros de verificação da Meta em pelo menos dez ocasiões por conteúdo falso.

Histórico de Monetização e Falhas na Aplicação de Regras

De acordo com a Raskrinkavanje, 51 das contas investigadas, com um histórico de pelo menos dez sinalizações por desinformação, participavam de algum programa de monetização do Facebook. Antes de 2024, quando a Meta unificou suas fontes de receita em um único programa por convite, uma em cada três dessas contas conseguiu aderir a múltiplos canais de monetização. Nove contas foram subsequentemente convidadas pela Meta a participar do novo programa, que remunera com base no desempenho do conteúdo.

Questionamentos sobre a Eficácia da Meta

As descobertas levantam sérias dúvidas sobre a capacidade da Meta em cumprir sua promessa de desmonetizar infratores reincidentes de desinformação. A empresa, que já enfrenta críticas significativas nos EUA e na Europa por falhar em conter a disseminação de conteúdo falso, iniciou parcerias com verificadores de fatos após as eleições americanas de 2016. No entanto, no ano passado, a empresa começou a reduzir essas colaborações em alguns mercados, substituindo-as pelas ‘Community Notes’.

Política de Monetização e Limiares Não Claros

A política atual da Meta proíbe a monetização de conteúdos classificados como ‘falsos’ por verificadores de fatos independentes, bem como conteúdo clickbait. Conteúdo ‘falso’ é definido como aquele sem base factual, incluindo citações falsas, alegações impossíveis, teorias da conspiração, material fabricado ou imagens reais usadas fora de contexto. Contudo, o estudo aponta que a Meta não especifica os limiares para a aplicação de restrições a infratores contumazes. Embora algumas contas tenham sido desmonetizadas ou suspensas, 84% recuperaram o acesso à monetização, com suspensões que, em alguns casos, duraram apenas dois dias.

Apelo por Investigação e Transparência

Os autores do estudo apelam à União Europeia para investigar se a Meta está a cumprir as regras do bloco, incluindo a Lei dos Serviços Digitais (DSA) e o Código de Conduta sobre a Desinformação, que exige a desmonetização de conteúdo falso. A Euronews Next tentou contato com a Meta para obter um comentário, mas não obteve resposta imediata. A What To Fix destacou que a falta de transparência da Meta quanto à monetização de contas dificulta análises mais aprofundadas, pois as organizações de verificação dependem de dados públicos e arquivos internos.

Fonte: pt.euronews.com

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