Mercado Pago e Nubank Ditando Ritmo no Crédito Brasileiro
A disputa acirrada no mercado de cartões no Brasil tem um novo capítulo: Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, e Nubank emergem como os principais motores da expansão na concessão de crédito. Segundo um relatório recente do Itaú BBA, a dupla é responsável por cerca de 36% do crescimento total da carteira de cartões no país nos últimos doze meses. Essa consolidação reflete estratégias distintas, com o Nubank priorizando a margem e o Mercado Pago apostando em um volume expressivo de emissões.
Crescimento Acelerado e Estratégias Divergentes
No quarto trimestre de 2025, o Mercado Livre emitiu quase 3 milhões de novos cartões em mercados como Brasil, México e Argentina, impulsionado por aprimoramentos em seus modelos de crédito e expansão em novos territórios. No Brasil, especificamente, o portfólio de cartões da empresa cresceu aproximadamente US$ 840 milhões (R$ 4,6 bilhões) no período. Em paralelo, o Nubank adicionou cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,4 bilhões) ao seu portfólio, quase dobrando o crescimento em relação ao trimestre anterior. Ambos os players demonstram confiança em seus modelos de crédito e aproveitam a oportunidade para acelerar suas operações.
Rentabilidade e Custo de Risco: Pontos de Contraste
A análise do Itaú BBA também aponta diferenças significativas entre as duas gigantes. O Nubank apresenta uma margem financeira líquida após perdas de 19%, um indicador considerado saudável que mede a rentabilidade do crédito descontada a inadimplência. Em contrapartida, o Mercado Pago opera com uma margem negativa, entre -6% e -7%. Essa diferença é parcialmente explicada pela composição do portfólio: o Nubank se beneficia de uma fatia maior de seu portfólio gerando juros (cerca de 35%) em comparação com os aproximadamente 15% do Mercado Livre. Ademais, o Nubank possui um custo de risco menor, em torno de 14%, enquanto o Mercado Livre enfrenta um custo de risco de 23% a 24%, apesar de uma melhora significativa ano a ano.
Perspectivas e Revisão de Estimativas
O relatório do Itaú BBA sugere que a margem negativa do Mercado Livre reflete o impacto da rápida emissão de novos cartões, uma pressão que deve continuar em 2026, especialmente com a aceleração na Argentina. No entanto, a empresa já observa que as safras de cartões com mais de dois anos no Brasil já apresentam margem positiva, com aproximadamente metade da carteira brasileira atingindo rentabilidade. Com base nesses dados, o Itaú BBA revisou suas estimativas para o Mercado Livre em 2026, reduzindo a projeção de lucro antes de juros e impostos (Ebit) e o preço-alvo das ações. As ações do Mercado Livre fecharam cotadas a US$ 1.670, e as do Nubank a US$ 13,89, ambas com desvalorização acumulada de 17% no ano até a data da publicação.
Fonte: neofeed.com.br

