Prevenção e Diagnóstico Precoce: Pilares Essenciais para a Inovação em Saúde
Avanços em áreas como oncologia dependem não apenas de novas terapias, mas também da capacidade dos sistemas de saúde em identificar pacientes precocemente, estruturar políticas de prevenção e reduzir desigualdades. Essa é a visão de Iskra Reic, vice-presidente executiva internacional da AstraZeneca, que defende um foco maior nessas frentes para garantir o acesso à inovação em saúde, especialmente em países com barreiras históricas, como o Brasil.
Segundo Reic, a combinação de inovação científica com diagnóstico aprimorado, organização da rede assistencial e modelos de financiamento eficazes é crucial para que os tratamentos cheguem aos pacientes no momento certo. A executiva ressalta que o desafio da equidade em saúde é duplo: garantir o acesso à infraestrutura e à capacidade do sistema de alcançar os pacientes, e assegurar diretrizes clínicas, padrões de tratamento e acesso efetivo a terapias inovadoras.
Produção de Evidências Locais e Sustentabilidade Financeira
A importância de produzir evidências locais para orientar políticas públicas e decisões de incorporação de novas tecnologias foi outro ponto destacado por Reic. Ela acredita que essa abordagem, que ganhou força em discussões recentes como na Assembleia Mundial da Saúde, deve influenciar cada vez mais as estratégias dos países. “É fundamental entender a realidade do sistema de saúde de cada país para implementar o modelo mais adequado”, afirmou.
A sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde também é uma prioridade. Uma avaliação internacional sugere que o Brasil precisa ampliar o debate sobre a garantia de recursos, especialmente em oncologia e para grupos vulneráveis. Reic aponta a necessidade de mecanismos que ampliem o acesso à inovação e, ao mesmo tempo, garantam a sustentabilidade do sistema público a longo prazo. Uma das sugestões levantadas para o Brasil é a ampliação da tributação do tabaco para financiar a inovação em oncologia, especialmente no câncer de pulmão.
AstraZeneca e o Compromisso com o Brasil
O Brasil é considerado um mercado estratégico para a AstraZeneca, com alta demanda médica não atendida e um histórico positivo de colaboração em pesquisa e desenvolvimento. A empresa tem investido em pesquisas no país, alcançando 7 milhões de pacientes brasileiros e investindo R$ 390 milhões em 124 estudos clínicos em 2025.
Um exemplo desse compromisso é a parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) para coletar evidências sobre o câncer de pulmão no Brasil. O objetivo é subsidiar a recomendação de um programa nacional de rastreamento precoce, já que 85% dos casos no país são diagnosticados em estágios avançados. Reic enfatiza que o diagnóstico precoce pode aumentar a taxa de sobrevida em cinco anos de 5% para aproximadamente 60% e reduzir significativamente a carga sobre o sistema de saúde, com um custo até oito vezes menor em comparação com o tratamento de casos avançados.
Prioridades e Tendências Futuras em Saúde
As principais prioridades da AstraZeneca incluem oncologia, doenças cardiovasculares e metabólicas, doenças respiratórias e imunológicas, doenças raras, vacinas e imunoterapias. Novas modalidades terapêuticas, como conjugados anticorpo-fármaco e terapias celulares, são vistas como transformadoras. No entanto, Reic reitera que, para transformar resultados em câncer e remover a doença como causa de morte, medicamentos sozinhos não são suficientes.
A executiva também comentou sobre modelos de financiamento, como compartilhamento de risco e baseados em desfecho, ressaltando que é fundamental encontrar o que funciona melhor para a realidade brasileira, com base em dados suficientes para tomadores de decisão. O recente anúncio de R$ 2,2 bilhões para ampliar o acesso à inovação oncológica no setor público é visto como um passo importante, mas o desafio é torná-lo sustentável no longo prazo. A tendência global é a crescente importância do rastreamento e diagnóstico precoce, com países estruturando programas nacionais e a necessidade de adaptação das estratégias à realidade local.
Fonte: futurodasaude.com.br

