quinta-feira, agosto 6, 2026
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Alliança Saúde busca recuperação extrajudicial de R$ 1,1 bilhão com apoio de 54% dos credores

Alliança Saúde busca recuperação extrajudicial de R$ 1,1 bilhão com apoio de 54% dos credores

Grupo de medicina diagnóstica, dono de marcas como CDB e Cedimagem, apresenta plano que inclui conversão de dívida em equity em meio a turbulências financeiras e de governança.

Em um movimento esperado pelo mercado, a Alliança Saúde, conglomerado que engloba marcas conhecidas como CDB, Cedimagem, Axial e Delfin, anunciou nesta quarta-feira, 5 de agosto, o pedido de homologação de seu plano de recuperação extrajudicial. A solicitação foi protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

O plano, elaborado em conjunto com suas principais subsidiárias, abrange um montante de créditos de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. De acordo com informações divulgadas pelo site Pipeline, a estratégia central envolve a conversão de dívida em participação acionária (equity), enquanto os acionistas avaliam a possibilidade de venda da empresa. Esta medida surge quatro meses após a companhia obter uma liminar de proteção à sua liquidez.

Apoio dos Credores e Reorganização Societária

A Alliança Saúde destacou que o plano proposto já conta com um expressivo apoio, com a adesão de mais de 83 credores, representando cerca de 54% dos créditos envolvidos no processo. Segundo a empresa, essa ampla aceitação foi impulsionada por uma recente reorganização societária. O controle do grupo foi consolidado no Tessai FIP Multiestratégia, fundo ligado à Geribá Investimentos, após credores executarem ações do empresário Nelson Tanure, que haviam sido dadas como garantia em operações financeiras.

Instabilidade na Governança e Crise Financeira

A situação da Alliança Saúde não se restringe apenas ao campo financeiro, apresentando também um cenário de instabilidade na governança. Recentemente, Ricardo Sartim, CEO e CFO interino, deixou o cargo alegando motivos pessoais. Sartim estava no comando há cerca de um ano, tendo substituído Isabella Tanure, filha de Nelson Tanure. Sua renúncia acentua o período de turbulência na gestão da empresa. Em resposta, a companhia iniciou o processo de sucessão e aprovou a entrada de João de Saint Brisson Paes de Carvalho em seu conselho de administração.

A saída do executivo ocorreu em meio a uma série de eventos que agravaram a situação da empresa. Em fevereiro, credores assumiram o controle acionário da Alliança, transferindo-o ao fundo Tessai, devido à deterioração financeira da operação. A companhia também enfrentou sérios problemas de liquidez após a Siemens Healthineers realizar uma transferência unilateral de R$ 11,8 milhões de uma conta vinculada a um contrato de financiamento, impactando o pagamento de fornecedores e do corpo clínico. Paralelamente, negociações para a aquisição do Grupo Meddi, considerado estratégico para expansão no Nordeste, foram encerradas.

Contexto de Recuperações Extrajudiciais no Brasil

O caso da Alliança Saúde se insere em um contexto mais amplo de empresas brasileiras que têm recorrido a processos de recuperação judicial ou extrajudicial para reequilibrar suas finanças. Exemplos recentes incluem o Grupo Gennius Brasil (Habib’s, Ragazzo, Mita, Tendall Grill), com dívidas de R$ 312 milhões, o Grupo Toky (Tok&Stok, Mobly), com R$ 1,1 bilhão em débitos, e a Oncoclínicas, que enfrenta dificuldades e reportou débitos de R$ 5,1 bilhões. Outras empresas como a rede de supermercados St. Marché, o Grupo Pão de Açúcar (GPA), a fabricante de brinquedos Estrela e a Fictor também buscaram proteção judicial.

Ao longo desta crise, as ações da Alliança Saúde acumularam uma queda de 33,3% em 12 meses, sendo negociadas a R$ 3,19, com um valor de mercado de R$ 485,9 milhões.

Fonte: neofeed.com.br

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