Governo Se Antecipa a Fenômeno Climático Extremo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (10.jun) que o Brasil está “preparado antecipadamente” para lidar com os impactos do El Niño, previsto para ser particularmente intenso neste ano. Durante um evento em Brasília focado na agenda ambiental, Lula destacou que o governo agiu proativamente para mitigar os riscos de queimadas e desastres climáticos, marcando um novo momento de organização prévia do país frente a fenômenos extremos.
“Pela 1ª vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, afirmou o presidente, ressaltando a importância dos acordos ambientais na luta contra eventos climáticos extremos e queimadas.
Pacote Ambiental e Alertas Científicos
A declaração de Lula ocorreu durante o anúncio de um pacote de medidas ambientais que inclui R$ 2 bilhões destinados ao Ibama e ao ICMBio, além da regulamentação de instrumentos para prevenção e combate a incêndios florestais. A iniciativa surge em um cenário de alertas da comunidade científica sobre a iminente chegada do El Niño. Projeções indicam que as temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial podem ultrapassar a média em até 4°C até dezembro, com potencial para superar episódios históricos como os de 1997-1998 e 2015-2016. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) corrobora essa previsão, apontando mais de 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até novembro, intensificando secas, enchentes e ondas de calor globalmente.
Preocupação no Agro com Redução de Seguro Rural
Apesar do otimismo governamental, o setor agropecuário expressa preocupação com o bloqueio de R$ 461,7 milhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026. Este corte representa 45,6% dos recursos disponíveis para o programa, que subsidia o seguro agrícola. O contingenciamento, parte de um bloqueio maior de R$ 23,7 bilhões para cumprir o arcabouço fiscal, reduz o orçamento efetivo do PSR para pouco mais de R$ 529 milhões. Dados do Ministério da Agricultura indicam uma queda expressiva na contratação de apólices, de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025.
Pressão do Congresso e Entidades Setoriais
A redução dos recursos para o seguro rural ocorre em um momento em que a bancada ruralista busca aprovar um projeto para modernizar e ampliar a cobertura do seguro agrícola. O texto já foi aprovado na Câmara e aguarda análise no Senado. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) têm pressionado o Ministério da Agricultura pela preservação dos recursos e exigido esclarecimentos sobre os bloqueios orçamentários. Entidades como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) alertam que a diminuição dos recursos aumenta a vulnerabilidade dos produtores diante do El Niño, que pode alterar drasticamente o regime de chuvas, afetar a produtividade e ampliar prejuízos. Especialistas enfatizam a necessidade de uma política permanente de adaptação climática, com investimentos contínuos em prevenção e gestão de riscos, para além da resposta a eventos específicos como o El Niño.
Fonte: www.poder360.com.br

