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Latache Capital: A Estratégia Ativista por Trás de Investidas em Usiminas, Oncoclínicas e BRF-Marfrig

Latache Investe em Usiminas e Sinaliza Ativismo em Assembleia

A Latache Capital, gestora com R$ 4 bilhões sob administração, marca sua estreia como acionista ativista na Usiminas. Com 5% das ações ordinárias, a empresa indicou dois candidatos ao conselho e solicitou o voto múltiplo para aumentar sua representatividade. Renato Azevedo, CEO da Latache, afirmou em entrevista ao NeoFeed que a estratégia visa maior proximidade com o dia a dia da companhia, especialmente em questões societárias e de formalização, áreas em que a gestora detém expertise.

A posição na Usiminas foi construída discretamente através do fundo Vera Cruz, com a Latache assumindo formalmente a gestão em 6 de abril, embora já fosse a beneficiária desde o início. Azevedo explicou que a discrição inicial visava evitar alardes, já que o nome da gestora frequentemente é associado a disputas.

Oncoclínicas: O Foco no “Legal Claim” e a Espera pela OPA

No caso da Oncoclínicas, a Latache detém 14,6% das ações e sua tese principal reside na Oferta Pública de Aquisição (OPA) relacionada à transferência de ações do Goldman Sachs para a Centaurus. Azevedo enfatizou que a gestora não tem interesse em controlar a companhia, mas sim em ver a resolução do “legal claim”. Mesmo com a necessidade de ajuda no reestruturação da empresa, o foco primordial da Latache permanece na OPA.

Apesar de uma nova assembleia agendada para 30 de abril, onde a Mak Capital busca maior participação no conselho, Azevedo reiterou que seu interesse primordial não é a maioria do conselho, mas sim a resolução da OPA e o bem-estar da Oncoclínicas. A gestora não pretende vender sua participação até que a disputa seja resolvida.

BRF-Marfrig: A Disputa na Câmara de Arbitragem

A Latache também move um processo na câmara de arbitragem da B3 contra a relação de troca estabelecida na fusão entre BRF e Marfrig. Azevedo descreveu o caso como um dos mais fáceis de analisar, pois se concentrou na avaliação da relação de troca de ações proposta. A porta para negociações permanece aberta, segundo o CEO, que ressalta a racionalidade e disciplina de investimento da gestora.

A Filosofia da Latache: Ativismo, Litígios e Retornos Desproporcionais

Renato Azevedo descreveu a área de litígios corporativos como pouco explorada no Brasil e fonte de oportunidades com retornos desproporcionais aos riscos. Ele reconhece que essa atuação gera inimizades e pressões constantes, mas afirma que a equipe da Latache tem “estômago” para lidar com tais adversidades. “Quem não tem estômago, que fique em casa”, declarou.

A gestora não realiza investimentos passivos, dedicando-se a acompanhar de perto todos os seus casos, sejam eles de litígio ou não. Com uma equipe de 15 pessoas, incluindo três advogados internos, a Latache foca em estratégias que unem o jurídico à geração de lucro. A filosofia da empresa é inspirada em fundos americanos como o Elliott, buscando “desarbitragem” entre risco e retorno e se posicionando como especialista em “special situations” no Brasil, especialmente no nicho de litígios corporativos contra clientes, onde a concorrência é menor.

Fonte: neofeed.com.br

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