O caminho para sistemas de saúde mais sustentáveis e eficientes foi o foco principal da ISPOR 2026. Especialistas apontam a necessidade de estratégias robustas para o período pós-regulamentação de tecnologias, com ênfase na cocriação de soluções centradas no paciente e na utilização de dados do mundo real.
A conferência ISPOR 2026 reforçou a urgência de desenvolver abordagens científicas para garantir a sustentabilidade dos sistemas de saúde, promovendo a melhoria da saúde populacional com responsabilidade financeira. Desde o início, a necessidade de planejar o futuro das tecnologias de saúde após a sua aprovação regulatória foi um tema central. Isso implica incorporar essa visão desde as fases iniciais de desenvolvimento, cocriando cuidados que atendam às necessidades dos pacientes e implementando estratégias de mensuração e acesso baseadas em valor.
Dados do Mundo Real e o Ciclo de Cuidado
A estruturação de modelos de coleta e governança de dados, capazes de serem aplicados em contextos reais após a validação de pesquisas, tornou-se um requisito fundamental para a geração de evidências de mundo real. A conferência também abordou a precificação de tecnologias de saúde em conjunto com o redesenho de ciclos de cuidado e as políticas regionais. A premissa de que a política não deve desvalorizar a inovação global em saúde foi reiterada, enfatizando a criação de estratégias de priorização que equilibrem orçamentos e a demanda real da população, integrando agendas nacionais de saúde.
Priorizando Inovação com Impacto Populacional
Um ponto crucial levantado foi a necessidade de modelos de priorização que avaliem o impacto real das tecnologias na saúde populacional. Foi destacado que doenças crônicas, responsáveis pela maioria das mortes globais, não têm recebido a devida atenção de tecnologias inovadoras. Mudar esse cenário exige políticas cujos critérios de avaliação considerem o impacto real na saúde da população regional, questionando: “Quais estratégias de saúde podem reduzir continuamente a demanda por tratamentos de alto custo?”.
Desafios na Adoção Tecnológica e o Papel da IA
A conferência também expôs o desalinhamento na capacidade de utilização eficaz das tecnologias em saúde. O lançamento de terapias avançadas, como as subcutâneas e gênicas, que têm potencial para melhorar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida, esbarra na falta de organização das partes interessadas para torná-las acessíveis. Essa constatação levanta questões importantes: “Os ecossistemas de saúde estão preparados para aproveitar efetivamente os avanços tecnológicos que estamos gerando?” e “O fluxo de tecnologias está alinhado ao fluxo financeiro?”.
A inteligência artificial (IA) emergiu como um tópico recorrente, apresentando-se como uma resposta promissora para a governança de sistemas e a otimização do acesso à tecnologia. A IA está acelerando a consolidação de evidências, permitindo que gestores de saúde acessem dados do mundo real para decisões políticas, dando vida a modelos econômicos e integrando resultados e custos em tempo real. A IA tem se mostrado uma aliada valiosa na liderança de reformas de sistemas de saúde, baseadas na demanda populacional.
A mensagem final da ISPOR 2026 é clara: desenvolver e implementar estratégias de acesso à tecnologia centradas nas necessidades da população, sustentadas por dados do mundo real e potencializadas pelas capacidades da IA, combinadas com modelos de compartilhamento de risco e precificação baseada em valor, é o caminho mais promissor para fortalecer a sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Fonte: futurodasaude.com.br

