Guerra Irã x EUA/Israel: Chefe da AIE Alerta para a Maior Crise Energética da História
Fatih Birol, da Agência Internacional de Energia, aponta que 20% do suprimento global de petróleo e gás está em risco, superando choques passados e exigindo atenção urgente de políticos e mercados.
O conflito em curso entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já se configura como a mais grave ameaça à segurança energética global já registrada. Segundo Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás está atualmente retido no Golfo Pérsico. Este cenário supera os impactos das crises energéticas da década de 1970 e representa o dobro da perda de gás que a Europa sofreu em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Subestimação de Políticos e Mercados
Birol expressou preocupação com o fato de que tanto os líderes políticos quanto os mercados financeiros estão, em sua avaliação, subestimando a magnitude e as consequências dessa interrupção no fornecimento de commodities essenciais para a economia global. Ele destacou que as “artérias vitais” de suprimento foram comprometidas, afetando não apenas combustíveis, mas também produtos derivados como fertilizantes, plásticos, têxteis, enxofre e hélio.
Impactos de Longo Prazo e Liberação de Reservas
Mesmo que o conflito termine em breve, a recuperação da capacidade de produção dos campos de petróleo e gás na região do Golfo Pérsico demandará um tempo considerável. Birol estima que alguns campos levarão até seis meses para voltar a operar, enquanto outros poderão necessitar de um período ainda mais extenso. Para mitigar a escassez, a AIE já liberou 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas globais, o que representa 20% do total disponível, mas, segundo o chefe da agência, essa medida não resolverá a perda de suprimento vinda do Oriente Médio. A retomada do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz é considerada a ação mais crucial.
Gás Russo e o Futuro da Energia
Birol também aconselhou cautela em relação ao gás russo, argumentando que sua reintrodução em larga escala não é economicamente viável, especialmente considerando que seu preço é historicamente atrelado ao petróleo. Ele lembrou que os gasodutos Nord Stream não estão operacionais e que a confiabilidade da Rússia como fornecedor de longo prazo foi abalada. A crise atual, segundo Birol, tem o potencial de catalisar mudanças políticas significativas, semelhantes às respostas observadas após os choques do petróleo de 1973 e 1979. Ele prevê um novo impulso para a transição energética rumo a fontes renováveis, um renascimento da energia nuclear e um aumento na adoção de carros elétricos, embora também possa haver um retorno ao uso mais intensivo do carvão como alternativa ao gás.
Fonte: neofeed.com.br

