Governo é Cobrado por Falhas Críticas no Transporte Rodoviário que Geram Risco e Ineficiência
Descumprimento do frete mínimo e informalidade causam prejuízos econômicos e colocam vidas em risco nas estradas brasileiras.
Explosão de Multas Ignora a Realidade do Setor
O descumprimento da política de pisos mínimos do frete se consolidou como um dos maiores entraves da logística brasileira. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou um aumento expressivo nos autos de infração, que saltaram de pouco mais de 3.500 em 2022 para impressionantes 66.698 em 2025. Apesar da escalada nas autuações, a efetividade das punições é questionável, com apenas 14% das multas de 2025 sendo pagas. Essa baixa arrecadação evidencia a dificuldade de execução das sanções, permitindo que o mercado opere em patamares economicamente insustentáveis.
Informalidade e Subprecificação: Um Ciclo Perverso na Logística
Estimativas recentes apontam que, do total de R$ 818,6 bilhões movimentados pelo setor de transporte rodoviário de cargas em 2023, cerca de 43% (R$ 351,8 bilhões) ocorreram na informalidade. Essa falta de registro gera uma perda anual estimada em R$ 32,7 bilhões em arrecadação pública, impactando diretamente o financiamento da seguridade social e o equilíbrio das contas do país. A subprecificação do frete, aliada ao excesso de oferta, transfere os custos da atividade para os trabalhadores e para a sociedade, comprometendo a sustentabilidade do sistema.
Riscos à Segurança e à Saúde dos Motoristas
A pressão constante por redução de custos impulsiona práticas que colocam em risco a segurança nas estradas e a saúde dos motoristas. Jornadas de trabalho extenuantes e a negligência com a manutenção dos veículos tornam-se comuns quando os preços do frete não cobrem os custos operacionais básicos. Pesquisas indicam que 61,1% dos caminhoneiros dirigem mais de 9 horas diárias, e 71% ultrapassam as 10 horas. Essa realidade alarmante contribui para acidentes graves, com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontando que o cansaço ou sono do motorista está presente em aproximadamente 21% dos acidentes graves envolvendo caminhões.
A Necessidade Urgente de Ação Governamental
Especialistas e representantes do setor clamam por uma ação governamental mais efetiva para corrigir as falhas estruturais no transporte rodoviário. A intensificação da fiscalização, anunciada pelo Ministério dos Transportes, é vista como um passo crucial. No entanto, é fundamental que o descumprimento do frete mínimo se torne inviável, assegurando a sustentabilidade de todo o sistema logístico nacional e a segurança nas estradas. Corrigir essas distorções é vital para a competitividade da economia brasileira, transformando a logística de um peso em um motor de desenvolvimento seguro e equilibrado.
Fonte: neofeed.com.br

