A decisão de Gabriela Duarte de se desvincular profissionalmente da mãe, Regina Duarte, foi motivada pelo desejo de trilhar um caminho próprio e evitar ser eternamente associada à imagem da veterana. A revelação foi feita pela atriz durante sua participação no podcast MenoTalks, com Silvia Ruiz e Mariliz Pereira Jorge.
Gabriela Duarte detalhou que, após o grande sucesso da dupla mãe e filha na novela Por Amor (1997), inúmeros convites surgiram para que ambas atuassem juntas em novos projetos. Essa sinergia profissional se estendeu para a minissérie Chiquinha Gonzaga (1999), onde interpretaram a mesma personagem, e para a peça teatral Honra, que ficou em cartaz por três anos. A atriz confessou que a insistência em propostas que as colocavam em papéis de parentesco ou proximidade, como mãe e filha, vizinhas ou tia e sobrinha, começou a incomodá-la.
O desejo de não ser vista como uma “dupla inseparável”
“Eu sempre soube que eu queria mais”, afirmou Gabriela, explicando o receio de que a identidade profissional dela ficasse irremediavelmente atrelada à de sua mãe. Ela expressou o incômodo com a percepção de que elas eram uma “dupla colada” e o medo de que o público não conseguisse mais enxergá-la individualmente. “Não gosto dessa ideia de que somos uma dupla inseparável, e que daqui a pouco as pessoas não conseguem mais me ver sem estar colada a ela”, declarou.
Medo de ter a trajetória definida pela mãe e as consequências da decisão
A atriz revelou que a separação criativa também foi impulsionada pelo receio de ter sua própria carreira definida pela da mãe, que já possuía uma trajetória consolidada quando Gabriela dava seus primeiros passos na atuação. A conversa com Regina Duarte sobre essa decisão não foi fácil, e a mãe não reagiu bem. “Eu tive essa conversa com ela, e ela não gostou”, contou. A emissora em que trabalhava na época, a Globo, também não ficou satisfeita com a escolha, sob uma ótica comercial.
Ameaças e a coragem de seguir em frente
Gabriela Duarte relatou que enfrentou ameaças e sofreu consequências pela decisão, que na época era vista como arriscada. “Eu ouvia, gente, as pessoas dizendo assim: ‘Cuidado, a sua carreira vai acabar. Você não tem medo?’”, lembrou. Apesar do medo, ela sentiu que era o momento de se desvincular e descobrir sua própria identidade profissional. “Para mim, era o contrário. Agora, eu vou descascar essa cebola até ver o que tem lá dentro. Eu amarguei, não foi fácil. Estava acontecendo aquilo que me falaram que iria acontecer. Tive medo, mas não dava para voltar atrás.”
Fonte: viva.com.br

