Fim da Patente do Ozempic Desencadeia Corrida Bilionária por Genéricos de Caneta Emagrecedora no Brasil
Mercado estimado em R$ 15,6 bilhões em 2026 aguarda aprovação da Anvisa para os primeiros genéricos, com EMS, Megalabs e Ávita Care na liderança.
A patente do Ozempic e Wegovy, medicamentos da Novo Nordisk à base de semaglutida que revolucionaram o mercado de controle de peso, expira no Brasil em 20 de março. Esta data marca o fim da exclusividade da farmacêutica dinamarquesa e abre caminho para uma intensa disputa por um mercado bilionário de canetas emagrecedoras genéricas. A expectativa é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove os primeiros registros de medicamentos similares já em maio, dando início a uma corrida entre empresas como EMS, Megalabs e Ávita Care.
Um Mercado em Expansão e a Queda de Preços Esperada
O mercado de canetas emagrecedoras no Brasil movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e tem previsão de alcançar R$ 15,6 bilhões em 2026. Com o fim da patente, espera-se uma redução de até 50% nos preços dos medicamentos. A EMS, por exemplo, já planeja produzir 1 milhão de canetas de semaglutida com preços entre R$ 500 e R$ 600, significativamente abaixo dos R$ 1 mil cobrados atualmente pelo Ozempic. Essa queda de preços é vista como um fator crucial para a possível reavaliação da incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS), que havia sido negada anteriormente devido ao alto custo.
Os Protagonistas da Corrida e as Estratégias de Mercado
Três empresas se destacam na vanguarda da aprovação de registros na Anvisa: EMS, Megalabs e Ávita Care. A EMS possui uma vantagem estratégica por já contar com uma plataforma de produção industrial pronta e experiência com medicamentos à base de liraglutida. A Ávita Care, por sua vez, assumiu o processo da Eurofarma e planeja trazer ao Brasil uma caneta fabricada inicialmente no Canadá, com planos de produção local futura. A Megalabs deve ingressar no mercado através de licenciamento de tecnologia estrangeira. A Eurofarma, embora tenha saído da disputa direta pela fabricação de genéricos, firmou um acordo de distribuição com a Novo Nordisk para outros medicamentos à base de semaglutida.
Impacto no SUS e Novos Cenários para o Tratamento da Obesidade
A perspectiva de queda nos custos dos medicamentos abre novas discussões sobre o acesso ao tratamento da obesidade no SUS. O Ministério da Saúde reconhece que a redução de preços pode levar à reabertura do debate sobre a incorporação da semaglutida. Enquanto isso, a Novo Nordisk iniciou um projeto-piloto para oferecer o Wegovy em centros públicos de saúde, buscando gerar dados sobre o impacto do tratamento. Especialistas apontam que o fim da patente não apenas impactará o setor farmacêutico, mas também outros segmentos, como academias, varejo alimentar e moda, refletindo mudanças no comportamento do consumidor.
O Futuro da Semaglutida no Brasil
A entrada de novos players no mercado de semaglutida promete aumentar a concorrência e democratizar o acesso a tratamentos para obesidade. Além das empresas citadas, outras farmacêuticas como Brainfarma, Cosmed, Sun Pharma e Cristália também estão com processos de registro em andamento. As redes varejistas, como a RD Saúde, já observam o crescimento expressivo dos produtos análogos ao GLP-1 e se preparam para o aumento da demanda. O cenário é promissor para a redução de custos e ampliação do acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade no Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

