Pressão por Resultados Trimestrais em Xeque
A obrigatoriedade de divulgação de balanços financeiros a cada três meses, uma prática nos Estados Unidos há mais de meio século, pode estar com os dias contados. A Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente à CVM brasileira, está avaliando uma proposta que permitiria às empresas de capital aberto apresentar seus resultados financeiros apenas duas vezes por ano, em vez de quatro.
Origens da Proposta e Apoio Político
A revisão das regras foi impulsionada por um pedido da Long Term Stock Exchange (LTSE), uma bolsa focada em companhias com visão de longo prazo. A ideia ganhou força com o apoio de figuras proeminentes, incluindo o ex-presidente Donald Trump. Trump já expressou publicamente que a divulgação trimestral força um foco excessivo no curto prazo, prejudicando a gestão estratégica e o crescimento sustentável das empresas, contrastando com a abordagem de longo prazo de outras economias, como a China.
Benefícios Potenciais e Críticas Antigas
Defensores da mudança argumentam que a flexibilização dos relatórios pode estimular novas aberturas de capital (IPOs). O número de empresas listadas em bolsa nos EUA diminuiu significativamente desde o pico no final dos anos 1990, e o ônus administrativo e financeiro dos relatórios trimestrais é citado como um fator que desencoraja empresas a se tornarem públicas. Figuras influentes do mercado, como o lendário investidor Warren Buffett e Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, já criticaram no passado a pressão por resultados trimestrais, afirmando que ela desvia a atenção do planejamento estratégico de longo prazo.
O Caminho para a Mudança
A SEC deve apresentar um rascunho da proposta em abril, após discussões com representantes das bolsas de valores. O texto passará por um período de consulta pública de 30 dias antes de ser votado pelos diretores da comissão. Caso aprovada, a medida alinharia os Estados Unidos às práticas do Reino Unido e da União Europeia, onde relatórios semestrais são o padrão, e os trimestrais não são obrigatórios. A mudança, se concretizada, representaria uma alteração significativa na forma como as empresas americanas se relacionam com o mercado e seus investidores, promovendo uma potencial mudança cultural em direção a uma gestão mais focada no futuro.
Fonte: neofeed.com.br

