Um Olhar Inédito sobre a Perseguição Nazi
Uma exposição na Embaixada da França em Berlim, inaugurada em 11 de maio de 2026, apresenta ao público 98 fotografias redescobertas que haviam desaparecido por mais de oito décadas. As imagens, tiradas por Harry Croner, um fotógrafo de origem judaica recrutado pela Wehrmacht, documentam a rusga de judeus em Paris, orquestrada pelas SS e pela Gestapo. Esta operação, ocorrida há 85 anos, resultou na prisão e deportação de milhares de judeus, muitos dos quais foram posteriormente assassinados em campos como Auschwitz-Birkenau.
A Redescoberta e o Significado Pessoal
As fotografias, que retratam homens com semblantes individuais e diversos, foram redescobertas em 2020 e meticulosamente analisadas pelo Mémorial de la Shoah em Paris. Lior Lalieu, responsável pela biblioteca fotográfica da instituição, contextualizou a dimensão histórica e pessoal das imagens em seu livro “La Rafle du “billet vert””. Para Liliane Ryszfeld, 91 anos, sobrevivente do Holocausto, a exposição tem um significado profundamente pessoal. Ela tinha apenas seis anos quando seu pai, Mosjez Stoczyk, foi convocado e nunca mais retornou, sendo deportado para Auschwitz. “As fotografias recuperadas são para mim um acontecimento que abala a terra. Esta rusga foi o gatilho para todos os meus pesadelos”, compartilhou Ryszfeld na inauguração.
Memória e Dever para as Gerações Futuras
A exposição transcende a mera exibição de documentos históricos, servindo como um alerta para o presente. Rüdiger Mahlo, representante da Conferência de Reclamações na Europa, destacou a importância de apresentar essas imagens em um momento em que se observam sinais de marginalização de judeus na sociedade. “O que vemos aqui hoje são começos que também existiam naquela época”, alertou. O embaixador francês na Alemanha, François Delattre, ressaltou a importância dos arquivos e da pesquisa independente para combater a falsificação histórica. A Conferência de Reivindicações, organizadora da exposição, atua há 75 anos em prol dos sobreviventes do Holocausto, distribuindo bilhões em indenizações e apoiando organizações de ajuda social, além de se considerar guardiã da memória.
Um Projeto de Cooperação Europeia pela Memória
A exposição “Rostos da Memória: as imagens da Ronda do Livro Verde” é fruto de um projeto de cooperação europeia envolvendo a Conferência de Reivindicações, a Embaixada da França na Alemanha, o Mémorial de la Shoah de Paris e a Comissão Francesa para a Restituição de Bens Culturais e a Indemnização das Vítimas de Espoliação Antissemita (CIVS). Jacques Fredj, diretor do Mémorial de la Shoah, aproveitou a ocasião para fazer um apelo ao público: “Os vossos arquivos têm valor, confiem-nos e ajudem a preservar a história da Shoah”. A exposição ficará em cartaz em Berlim até 9 de julho de 2026, com a esperança de que mais documentos venham à luz para que toda a verdade seja conhecida.
Fonte: pt.euronews.com

