Uruguai: Pioneirismo e Experiência em Cannabis
O Uruguai se consolida como um líder na América Latina no mercado de cannabis, após regulamentar todo o setor em 2013. Com mais de uma década de experiência em uso individual, medicinal e industrial, o país compartilha lições valiosas para o desenvolvimento do mercado brasileiro.
‘Cannabis é para os velhos’: Uma Nova Perspectiva
Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, ressalta que a cannabis tem um potencial significativo para o público idoso, especialmente diante do aumento de comorbidades neurológicas e psicológicas. “É uma opção muito viável, principalmente quando lembramos do acúmulo de medicamentos consumidos por esse grupo conforme o envelhecimento avança”, afirma. Mercedes Ponce de León, confundadora da Latinnabis e ExpoCannabis, corrobora essa visão, observando que o Uruguai, com uma população majoritariamente acima dos 50 anos, tem visto a cannabis medicinal ser uma aliada para essa faixa etária. Dados uruguaios contrariam a expectativa de aumento de consumo jovem, indicando uma ascensão da idade média para o primeiro contato com a planta e um crescimento do uso por adultos e idosos.
Desafios de Receituário e Acesso no Brasil
A recente revisão da RDC 327 no Brasil visa simplificar a prescrição e o acesso a produtos de cannabis. Produtos com até 0,2% de THC exigirão receita de controle especial, enquanto os acima dessa porcentagem demandarão notificação de receita tipo A. Um dos principais desafios reside na capacitação dos profissionais de saúde, especialmente médicos de atenção primária, para prescreverem o canabidiol de forma eficaz. Thiago Cardoso, CEO da Kaya Mind, destaca a falta de conhecimento sobre o sistema endocanabinoide, que não era ensinado em faculdades de medicina décadas atrás, como um gargalo para a expansão do mercado medicinal.
Cannabidiol no SUS: Entendimento e Acesso
A disponibilidade gratuita de medicamentos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é um ponto de desinformação. Embora o SUS ofereça tais medicamentos, a oferta não é padronizada nacionalmente pela RENAME, e o acesso é frequentemente garantido por meio de leis estaduais, municipais ou decisões judiciais. Essa descentralização representa um desafio significativo em um país de dimensões continentais como o Brasil, dificultando o acesso equitativo.
Fonte: viva.com.br

