Engie Foca em Hidrelétricas e Transmissão Diante de Crise nas Renováveis
A Engie, uma das líderes em energia limpa no Brasil, está promovendo uma reestruturação estratégica em seu portfólio. Diante da crescente sobreoferta de energia renovável e dos consequentes cortes na produção – que chegam a desperdiçar 17% da energia gerada por suas usinas eólicas e solares –, a empresa decidiu pausar novos investimentos em capacidade intermitente. O CEO Eduardo Sattamini anunciou que o foco agora recai sobre hidrelétricas e linhas de transmissão, segmentos que já representam 70% da capacidade da companhia e oferecem maior previsibilidade e retorno.
Cortes em Renováveis Levam a Mudança de Rota
O “curtailment”, termo que designa os cortes impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar o sobrecarregamento da rede, tem sido um problema recorrente para usinas eólicas e solares. Essa situação, aliada à falta de clareza sobre a demanda futura e à distorção do mercado por subsídios, motivou a Engie a reposicionar seus investimentos. Sattamini criticou a falta de políticas públicas eficazes para gerenciar o excedente de energia renovável e sugeriu o uso de baterias de armazenamento como solução para equilibrar a oferta.
Expansão em Hidrelétricas e Reforço em Linhas de Transmissão
A estratégia da Engie se traduz em ações concretas. A empresa venceu um leilão para ampliar a Usina Hidrelétrica Jaguara, com um investimento previsto de R$ 1,2 bilhão para a instalação de duas novas unidades, elevando sua capacidade em 232 MW. Além disso, a Engie está em processo de incorporar a Usina Hidrelétrica de Jirau, o que aumentará sua participação hidrelétrica no portfólio de 62% para 75%. No segmento de transmissão, a companhia arrematou lotes de linhas de transmissão e compensadores síncronos, com um investimento de R$ 1,5 bilhão, visando fortalecer a infraestrutura de escoamento de energia.
Críticas aos Subsídios e à Geração Distribuída
Sattamini expressou preocupação com as distorções no mercado de energia, atribuindo parte dos problemas à prolongada concessão de subsídios às fontes renováveis e ao crescimento desordenado da geração distribuída (GD). Segundo o CEO, esses fatores criam uma “sobreoferta de qualidade ruim”, que sobrecarrega o sistema e penaliza consumidores de menor renda. Ele defende mecanismos que permitam aproveitar essa energia excedente, como o uso de baterias, e aponta a incerteza jurídica como um entrave para a execução de projetos importantes.
Resultados Positivos e Desafios Futuros
Apesar dos desafios, a nova estratégia da Engie já demonstra resultados. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou um crescimento de 13,1% em sua receita operacional líquida e de 10% no Ebitda ajustado. A colocação em operação de 1,4 GW de usinas entre 2025 e 2026 contribuiu para esses números. No entanto, a empresa segue atenta às disputas regulatórias e aos riscos de instabilidade jurídica que ainda pairam sobre o setor elétrico brasileiro.
Fonte: neofeed.com.br

