Juros Elevados e Cartão de Crédito Impulsionam Endividamento Recorde
O cenário de endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo patamar alarmante em abril de 2026, alcançando 80,9% e marcando o quarto mês consecutivo de recorde histórico. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em relação a março, o percentual subiu 0,5 ponto percentual, demonstrando uma tendência de crescimento persistente.
O cartão de crédito continua sendo o principal vilão, concentrando não apenas a maior parte das dívidas, mas também os juros mais elevados da economia. Carnês de loja e crédito pessoal também figuram como fontes significativas de endividamento entre os brasileiros.
Desenrola 2.0 e Discurso Político em Meio à Crise
Este recorde de endividamento ocorre pouco antes da sanção do programa Desenrola 2.0, uma iniciativa do governo federal para auxiliar na renegociação de dívidas. A primeira edição do programa, em 2024, mobilizou cerca de 15 milhões de pessoas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado seu discurso sobre a necessidade de acabar com o endividamento da população, especialmente em um ano eleitoral. A cobrança pública ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, para solucionar a questão das dívidas, faz parte de uma estratégia para melhorar a popularidade, que, segundo o PoderData, registrou 61% de desaprovação em abril de 2026.
Aumento das Contas em Atraso e Tempo de Dívida
O levantamento da CNC também indica um aumento nas famílias com contas em atraso, que chegaram a 29,7% em abril de 2026, superando os 29,1% registrados no mesmo mês de 2025. O índice de famílias sem condições de quitar dívidas atrasadas permaneceu estável em 12,3% pelo segundo mês consecutivo. Dentre os endividados com pagamentos em atraso, quase metade (49,5%) acumula débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso, contudo, manteve-se estável em 65,1 dias, o que a CNC atribui a uma melhora pontual na renda média das famílias.
Impacto Generalizado e Projeções Futuras
O endividamento afetou todas as faixas de renda, com crescimento registrado em todos os grupos. As projeções da Peic para maio indicam a continuidade dessa tendência de alta, que dependerá diretamente do comportamento da renda e da inflação em itens essenciais como energia e combustíveis. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressalta que a taxa Selic, ainda elevada em 14,50% ao ano, é um fator crucial. A incerteza no cenário econômico global e a perspectiva de uma flexibilização monetária mais lenta no Brasil sugerem que os altos níveis de endividamento podem persistir por mais tempo.
Fonte: www.poder360.com.br

