A 12ª Brazil Conference, realizada em Boston e Cambridge, nos Estados Unidos, foi palco de intensos debates sobre o futuro político e tecnológico do Brasil. As eleições presidenciais de 2026 e o impacto crescente da inteligência artificial (IA) dominaram as discussões, reunindo mais de mil participantes e renomados painelistas.
Calcificação do Eleitorado e o Papel dos “Swing Voters”
Felipe Nunes, PhD em Ciência Política e sócio-fundador da Quaest, destacou uma tendência preocupante: a “calcificação” do eleitorado brasileiro. Segundo ele, as eleições no Brasil se assemelham cada vez mais às americanas, com regiões consolidadas em seus votos (como o Nordeste predominantemente petista e o Sul/Centro-Oeste antipetista). Essa polarização geográfica eleva a importância dos chamados “swing voters”, eleitores indecisos concentrados em áreas-chave como São Paulo, região metropolitana de Belo Horizonte, Baixada Fluminense e Camaçari. A conquista desses eleitores será crucial para o desfecho do pleito de 2026.
A IA como Aliada e Ameaça nas Campanhas
Duda Lima, marqueteiro com experiência em campanhas presidenciais e municipais, previu que a inteligência artificial revolucionará o marketing eleitoral, tal como as redes sociais fizeram na eleição de Barack Obama. A IA permitirá uma aproximação sem precedentes com o eleitorado. Contudo, Lima também alertou para os perigos inerentes, especialmente a disseminação de fake news. Ele defende o desenvolvimento de ferramentas de IA capazes de identificar conteúdos falsos gerados pela própria tecnologia, a fim de neutralizar tentativas de manipulação.
O Fantasma da Manipulação e a Falta de Preparo Brasileiro
Mat Velloso, ex-vice-presidente de IA e Machine Learning da Meta e do Google Deepmind, expressou um temor ainda maior, comparando os riscos atuais com o escândalo da Cambridge Analytica. Ele alertou que empresários podem lucrar com a manipulação da democracia brasileira, e que o país está longe de estar preparado para os desafios impostos pela IA. Velloso criticou a falta de estratégia e qualificação política para lidar com essa nova era, contrastando com a proatividade de países como a China. Ele teme que o Brasil, sem um plano de longo prazo e focado na polarização, retroceda séculos, comparando a situação a um cenário de “colonizadores e selva” em 1500.
Um Chamado à Ação: Liderança e Engajamento Político
Em sintonia com as preocupações levantadas, Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, e Duda Lima conclamaram os estudantes presentes a assumirem um papel de liderança. Gomes Neto enfatizou a necessidade de ambição tecnológica e de planejamento de décadas, em vez de ciclos curtos, para o desenvolvimento de setores estratégicos. Lima, por sua vez, apelou para que os jovens talentos olhem para a política com mais atenção, pois o Brasil necessita de mentes brilhantes para construir um futuro tecnológico sustentável e para evitar um retrocesso histórico.
Fonte: neofeed.com.br

